CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de junho de 2025
As páginas de notícias do 9º dia de junho de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia 09 de junho amanheceu com a alma dividida entre a vassoura da esperança e a pá da desesperança. Aracaju, coitada, continua com as calçadas pintadas de lixo e as avenidas engarrafadas de promessas. A nova empresa de limpeza surge como um varal de roupas limpas ao vento, mas o povo já sabe que, por trás do sorriso de vassoura, escondem-se os baldes furados de sempre.
Enquanto isso, o campo de futebol ficou sem um de seus jogadores: Marcelo Alves Carvalho, aos 34 anos, foi alvejado pela bala insensível que não escolhe se a vítima é herói ou apenas sonhador de domingo. A cidade de Umbaúba, que antes respirava pelos pulmões do esporte, agora respira por aparelhos emocionais, sufocada de luto e perguntas.
No teatro político, Mauro Cid desfia confissões como quem borda a tapeçaria de um golpe inacabado: Bolsonaro leu a minuta do poder como quem lê bula de remédio para insônia, arrancou o que poderia dar dor de cabeça e manteve o resto como almofada para o sono autoritário. Um script de novela de quinta categoria, mas que ainda nos faz suar frio.
Zambelli, a musa do blefe digital, deve se apresentar para o juiz como quem leva flores ao próprio velório. Condenada a 10 anos de prisão por falsidade explícita, tenta costurar nos bastidores um tapete mágico para voar para longe da sentença. Mas o tapete parece ter sido feito com a mesma lã de suas mentiras: frágil e cheio de furos.
No cassino das apostas, as bets veem seus lucros ameaçados por uma supertributação que poderia esvaziar os cofres e encher as malas dos clandestinos. É como se o governo fosse o crupiê que decide mudar as regras do jogo depois da roleta ter rodado. Já no tabuleiro das finanças, a taxação de LCI e LCA é o corvo que pousa no telhado das casas e das mesas: encarece a moradia e azeda o prato do almoço.
E se no Brasil jogamos esse xadrez de impostos e apostas, lá no Irã a vida parece um tabuleiro sem cães: proibir passear com cachorro é declarar guerra à alegria de quatro patas. Enquanto isso, Putin, de seu trono gelado, ameaça transformar o tabuleiro do planeta num campo minado de radiação nuclear. “O fim do mundo!”, profetiza o assessor russo, como quem brinca de carrinho de brinquedo num vulcão em erupção.
No terreiro das clínicas para autistas, o Ministério Público de Sergipe dança ao som de processos e descredenciamentos. Um samba de notas e sentenças que deixa as famílias com o coração aos pulos e a mente repleta de interrogações.
E em Propriá, o ex-prefeito e a atual gestão trocam acusações como quem joga batata quente: o Tribunal de Contas quer saber quem brincou de esconde-esconde com os recursos da Deso. No fundo, todos sabemos que, quando a torneira do dinheiro público jorra sem freio, sempre tem alguém tomando banho de luxo enquanto o povo fica na seca.
Ah, Brasil! Terra onde cada notícia é um botão de rosa: bonito por fora, mas cheio de espinhos. E nós, jardineiros sem luvas, seguimos podando esperanças e regando descrenças, num canteiro que insiste em florescer entre a lama.




