CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de Agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de Agosto de 2025
Publicado em 10/08/2025 às 18:15

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia amanheceu com gosto de café forte e páginas virando — o último dia do FLIS, o Festival Literário Internacional de Sergipe, foi um banquete para as almas famintas de palavra. Sarau aqui, roda de conversa ali, escritores lançando suas crias de papel como quem entrega filhos ao mundo, com aquele misto de orgulho e medo de que alguém dobre a orelha da página. O Aracaju Parque Shopping virou um porto de letras, onde cada livro atracava com cheiro de tinta e maresia de sonho.

Enquanto isso, na sala silenciosa da burocracia acadêmica, a UFS publicou um edital para ingresso de portadores de diploma em novos cursos. É quase como dizer: “Se já subiu uma montanha, venha subir outra, mas agora com menos ar e mais siglas no caminho”. A universidade, essa velha senhora com cabelos brancos de giz, abre as portas, mas não sem antes medir cada centímetro do passo do visitante, como porteiro zeloso que só deixa entrar quem sabe a senha — e a senha, claro, é um calhamaço de documentos carimbados até o tédio.

Lá no Planalto, Lula pegou o telefone e ligou para Putin. Quarenta minutos de conversa — tempo suficiente para cozinhar um macarrão al dente ou para a diplomacia tentar fazer a paz sair do forno sem queimar. Falaram sobre a guerra na Ucrânia, sobre o Brics, sobre críticas dos EUA… e talvez sobre o clima, quem sabe. É que, no teatro da geopolítica, cada telefonema é um ato com legendas invisíveis, e o público, aqui do lado de cá, só vê a pontinha do script, imaginando se nos bastidores serviram cafezinho ou vodka.

Já na península coreana, o som baixou. A tal “guerra dos alto-falantes” ganhou um capítulo curioso: a Coreia do Norte começou a desmontar suas caixas de som, e a Coreia do Sul, num balé ensaiado, fez o mesmo. Era uma briga de vizinhos de muro alto, jogando música e propaganda como se fossem latas de refrigerante vazias — agora, resolveram guardar o equipamento, talvez para não gastar energia, talvez para deixar o silêncio trabalhar por eles. Quem sabe, no próximo ato, eles troquem alto-falantes por megafones de paz — embora, convenhamos, a paz raramente entra no palco sem passar antes por um camarim de intrigas.

E assim, o sábado 9 de agosto foi costurado com linhas de poesia, diplomacia e silêncio. Entre livros autografados, editais que prometem novos começos, líderes que falam de guerras que não terminam, e fronteiras que tentam descansar os ouvidos, ficou a sensação de que o mundo é uma livraria viva: cheia de histórias, algumas felizes, outras doloridas, mas todas esperando um leitor disposto a virar a página.

Porque, no fim, a vida é isso — um festival que acaba, um edital que abre, um telefonema que tenta, um alto-falante que se cala. E nós, plateia e autores ao mesmo tempo, seguimos tentando escrever um capítulo onde a palavra mais repetida não seja “guerra”, mas “começo”.