CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de outubro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O sol de Aracaju acordou curioso. Queria espiar a nova maquiagem do Parque Augusto Franco — ou melhor, o Parque da Sementeira, esse velho amigo da cidade que resolveu passar uns dias no spa da Prefeitura. Está fechado até sexta, coitado, para a tal “revitalização”.
Dizem que vai ganhar brinquedos novos, academias ao ar livre e um espaço pet. Parece que os humanos cansaram de brincar e resolveram dar vez aos cachorros, que, convenhamos, sempre foram mais sinceros e leais do que boa parte dos frequentadores.
O parque, vaidoso, aceitou o bisturi das obras: “Me arrumem as calçadas, penteiem os canteiros, troquem minhas folhas mortas por selfies vivas!” – sussurrou o verde cansado. Enquanto isso, os passarinhos, expulsos temporariamente, montaram acampamento nas praças vizinhas, reclamando que a “natureza está virando condomínio fechado”.
Ah, o progresso! Esse cirurgião estético das paisagens, que promete embelezar mas às vezes esquece que o perfume do mato não se compra em loja de equipamentos urbanos.
Enquanto o parque faz lifting, o governo anda atrás de quem faz “drink lifting”. A Secretaria Nacional do Consumidor notificou as plataformas que vendem ingredientes suspeitos — os alquimistas modernos que transformam etanol em veneno e chamam de diversão líquida.
É a nova moda da insanidade: adulterar bebidas como quem tempera o próprio caos. O metanol, esse demônio invisível, virou o vilão de copo cheio. E o Estado, cambaleante, tenta erguer a moral enquanto o povo tropeça nas tentações do barato que sai caro — ou do trago que sai fatal.
O comércio virtual, esse universo paralelo onde tudo se compra menos juízo, agora será vigiado. Talvez falte uma notificação celestial — dessas que aparecem na consciência: “Aviso: sua humanidade está com baixa resolução.”
E lá no Oriente, onde o deserto sussurra orações antigas e os deuses se cansaram de tanto escutar promessas de paz, Israel e Hamas decidiram, finalmente, colocar um ponto e vírgula na guerra.
Um acordo.
Três sílabas que pesam toneladas.
Dizem que o plano de paz foi firmado. Mas a paz, essa senhora de vestido branco e pés descalços, ainda hesita em atravessar as ruínas — teme tropeçar nas pedras da desconfiança e manchar a barra do vestido com sangue seco.
Enquanto o mundo aplaude, o vento do deserto sussurra: “Veremos quanto tempo dura o silêncio antes que o próximo míssil grite novamente.”
O dia 8 de outubro de 2025 amanheceu assim: com parques fechados, bebidas suspeitas e um tratado de paz que tenta nascer em terreno minado.
É a humanidade no espelho — retocando a maquiagem, limpando os copos, assinando promessas.
A cidade se pinta de verde, o governo finge ser babá do bom senso, e o Oriente suspira cansado.
Mas no fundo, todos esperamos o mesmo:
Que o parque reabra com mais flores,
que o copo volte a brindar a vida,
e que o mundo, esse parque gigante e malcuidado,
passe, enfim, por uma revitalização —
não de calçadas e academias,
mas de alma.




