CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 08 de março de 2025

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 08 de março de 2025
Publicado em 09/03/2025 às 10:05

Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No palco da história, onde o roteiro insiste em misturar tragédia e comédia, amanhecemos sob os holofotes do Dia Internacional da Mulher, data em que o mundo se enfeita com discursos, enquanto as protagonistas seguem enfrentando os bastidores de um enredo desigual. O dia das mulheres, entre flores e promessas vazias, nos lembra que o mundo ainda precisa de mais justiça e menos homenagens decorativas.

E por falar em palco, Aracaju protagonizou uma cena digna de filme de ação: um helicóptero em cena, vento, poeira e… uma tenda voadora! Não era um truque de ilusão, mas sim a realidade nua e crua. A vítima? Uma funcionária da Secretaria de Saúde, atingida pela fúria da estrutura errante. Mas calma! Como manda o script do governo, a nota oficial garantiu que “ela passa bem”. Resta saber se a autoestima do planejamento público também sobreviveu à ventania.

Enquanto isso, nos bastidores da política, um velho enredo se repete. Deputado sergipano, réu em denúncia por desvio de emendas, entra no elenco dos clássicos personagens do teatro da corrupção. O enredo? Roteiro previsível: um milhão e seiscentos mil reais de propina, negociações obscuras e a Justiça com o suspense de sempre – votos de ministros ainda pendentes, como quem segura o público na ponta da poltrona. Mas será que o final desse filme será diferente?

Do sertão de Sergipe vem outro capítulo dessa saga: Canindé de São Francisco, reconhecida em estado de emergência. O cenário é árido, o palco é de seca, e a plateia? O povo, esperando que, desta vez, os recursos federais não evaporem antes de molhar a terra ressequida. Cestas básicas, água mineral, kits de higiene… tudo que chega como esmola institucional, enquanto as chuvas, quando vêm, lavam promessas e carregam esperanças ladeira abaixo.

Lá em Brasília, o Presidente Lula escreve um novo ato: indica Verônica Abdalla Sterman para o Superior Tribunal Militar. E o Senado, como sempre, faz pose de júri popular, pronto para avaliar se a personagem se encaixa na peça ou se será descartada como figurante. O palco da política sempre tem esses momentos de suspense, onde se decide quem entra e quem sai do espetáculo das instituições.

Mas, se aqui as batalhas são jurídicas, lá na Síria o enredo é sangrento. Novo governo, velhos métodos. Mais de 700 civis alauítas mortos numa coreografia macabra chamada “limpeza étnica”. O que antes era uma tragédia anunciada, agora é uma barbárie confirmada. O ciclo da violência segue girando, indiferente aos aplausos ou vaias da plateia internacional, que assiste, chora, mas não interfere.

E no Vaticano, enquanto o mundo gira e tropeça em suas próprias contradições, o Papa Francisco se recupera. Sem febre, diz o boletim. Talvez, quem precise mesmo de um diagnóstico seja o mundo. O termômetro da humanidade anda oscilando entre a febre da ganância e a hipotermia da indiferença. Francisco resiste, mas e a nossa fé em tempos melhores, resiste também?

No fim das contas, a vida segue sendo uma peça mal ensaiada, onde os improvisos são regra e os roteiros, reescritos à base de metáforas tristes e ironias doloridas. Que o vento que levou a tenda em Aracaju leve também as velhas mazelas. Que a seca de Canindé não seja pretexto para desvios. Que os corruptos tenham um final digno de vilões. E que as mulheres, protagonistas deste dia e de todos os outros, finalmente recebam não só homenagens, mas também justiça, respeito e igualdade.

Porque no grande palco da vida, só há uma certeza: o espetáculo tem que continuar.