CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 08 de Fevereiro de 2025

Entre cavalos, terremotos e políticos sem freio

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 08 de Fevereiro de 2025
Publicado em 09/02/2025 às 10:59

As Manchetes do dia 08 de Fevereiro de 2025

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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O tempo segue sua toada impiedosa, e mais um dia amanhece carregando sobre os ombros um fardo de tragédias, escândalos e ironias tão amargas quanto café de boteco sem açúcar. O sábado, que deveria ser um convite ao descanso, trouxe consigo notícias que mais parecem enredos de um romance distópico – daqueles que fazem rir para não chorar.

Pirambu chora a perda de Osman de Andrade, o popular Monem, guerreiro do asfalto, trabalhador de sol a sol, ceifado pela irresponsabilidade alheia. Não foi o destino, tampouco um castigo divino – foi a negligência travestida de liberdade. Um cavalo solto na SE-100 resolveu bancar o dono da estrada e atravessou sem olhar para os lados. E quem paga o preço? Sempre o cidadão de bem, enquanto os verdadeiros culpados seguem soltos, trotando na impunidade, sem um freio sequer da justiça.

O que falta para as autoridades tomarem providências? Uma procissão de vítimas? O asfalto já tem sangue suficiente para pintar um quadro de horror. Mas seguem os cavalos livres e os homens presos – presos na dor, na revolta e na eterna espera por medidas concretas.

Enquanto uns perdem suas vidas na estrada, outros perdem sua dignidade nos bastidores do poder. Deputados do PL foram pegos no flagra vendendo emendas como se fossem mercadorias de feira. E não bastasse o comércio descarado de verbas públicas, o esquema envolvia ameaças com armas – porque, claro, política e gangsterismo no Brasil andam de mãos dadas. O Pastor Gil, Josimar Maranhãozinho e Bosco Costa pareciam ter se inspirado em filmes de mafiosos, mas sem o glamour hollywoodiano – só a lama da corrupção nacional.

E o cidadão comum? Esse segue na luta, contando moedas para comprar o gás de cozinha, que virou artigo de luxo. Pelo menos, a boa notícia é que as inscrições para o auxílio gás estadual começam na segunda-feira. Mas sejamos francos: depender de auxílio para cozinhar é o retrato fiel de um país que tropeça no próprio rabo.

Falando em tropeços, o IBGE resolveu nos lembrar que estamos mais quebrados do que nunca. As dores nas costas seguem liderando os afastamentos do trabalho, mas os transtornos mentais vêm crescendo como praga em roça abandonada. Quem aguenta? Viver no Brasil tem sido um misto de maratona e guerra psicológica: o corpo padece e a mente desaba.

Mas, se por um lado há tragédias, por outro há aqueles que insistem em desafiar a sorte. A Mega-Sena acumulou e promete agora R$ 47 milhões para o sortudo que acertar os números mágicos. O problema é que a maioria dos brasileiros já está acostumada a ganhar no azar – seja na política, no trânsito ou na economia.

Longe daqui, a Terra tremeu. Um terremoto de magnitude 7,6 sacudiu o Caribe, e por um instante, o planeta se lembrou de que ele também tem seus surtos. E na China, onde os cenários costumam ser épicos, um deslizamento de terra deixou 30 desaparecidos. O presidente Xi Jinping ordenou que todos os esforços fossem feitos para encontrar as vítimas. Quem dera tivéssemos um líder por essas bandas com esse senso de urgência para os nossos próprios deslizamentos – os de terra e os de caráter.

E assim termina mais um dia, onde os cavalos correm sem dono, os políticos trotam sem vergonha, e o povo segue segurando as rédeas do que resta de esperança. Mas sigamos firmes, pois enquanto houver crônica, haverá denúncia, enquanto houver voz, haverá resistência, e enquanto houver ironia, haverá riso – ainda que um riso amargo, como café de boteco sem açúcar.

Bom final de semana a todos(as) ! Que Deus nos abençoe e nos proteja de todos os males, porque do jeito que as coisas andam, só um milagre para segurar as rédeas desse mundo.


Por Antônio Glauber Santana Ferreira