CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 07 de março de 2025

Sopros de Harmonia patrimônio da eternidade.

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 07 de março de 2025
Publicado em 08/03/2025 às 15:23

As páginas do dia 07 de março de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


A manhã em Japaratuba despertou ao som dos clarins da história. A Sociedade Filarmônica Euterpe Japaratubense, velha dama de Japaratuba que é celeiro da cultura sergipana, recebeu o título de Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial de Sergipe. Um título que soa como o reconhecimento de um maestro a uma orquestra que nunca desafinou, mesmo quando as partituras da vida impunham sinfonias tristes. Entre trombones e clarinetes, ressoou o hino da resistência cultural.

Mas enquanto as flautas da tradição tocavam doces melodias em Japaratuba, os tambores do trânsito batiam um batuque frenético em Aracaju. No Dia Internacional da Mulher, a Praça Fausto Cardoso se vestirá de festa, e os motores impacientes terão que aprender a dançar conforme a música. O palco será delas – Joésia Ramos, Maysa Reis e Alinne Rosa –, mas o espetáculo de buzinas promete ser regido por uma orquestra desafinada de motoristas irritados e desvios improvisados. Quem diria que a mobilidade urbana também faria parte do repertório?

Se em Japaratuba celebramos a cultura, em Sergipe acendemos um alerta vermelho. A síndrome respiratória aguda grave ameaça fazer um solo desafinado no grande concerto da saúde pública. Como uma nota dissonante, o vírus ensaia seu retorno ao palco, e os hospitais já afinam seus instrumentos para enfrentar mais uma temporada de caos. E como se não bastasse, no Hospital Nestor Piva, 100 funcionários foram dispensados, como se fossem meros acordes descartáveis de uma sinfonia mal composta pela mudança de gestão. E assim, os corredores da saúde desafinam, deixando um silêncio angustiante no lugar onde deveria haver esperança.

No Paraguai, a velha ópera do racismo desafinou mais uma vez, e o jovem Luighi, do Palmeiras, foi obrigado a ouvir um coro de ódio e ignorância. O presidente Lula ergueu a batuta e exigiu punição, porque essa é uma melodia que já passou do tempo de ser silenciada. O racismo é a marcha fúnebre da civilização, e enquanto ainda houver quem insista em entoá-la, precisaremos de maestros que transformem cada nota de preconceito em um hino de justiça.

No Brasil, a Primeira Turma do STF manteve a suspensão do Rumble, e no grande palco da internet, a lei e o desobedientes travam um duelo de violinos desafinados. Enquanto isso, na França, uma bomba da Segunda Guerra Mundial foi encontrada perto da estação Gare du Nord, uma nota fantasma de um passado que insiste em ecoar no presente. A guerra nunca termina completamente – ela apenas muda de tom, esperando a próxima geração para tocar sua marcha de destruição.

E por falar em guerra, a Polônia quer treinar todos os seus homens adultos para um eventual confronto. O medo já aprendeu a reger exércitos, e agora sopra seus ventos sobre a Europa, transformando cidadãos em soldados e vidas em números frios de estatísticas militares. O futuro, que deveria ser um concerto de paz, se ensaia ao som de tambores de guerra.


E assim seguimos, entre sopros de esperança e trovões de incerteza, entre sinfonias de cultura e cacofonias de injustiça. A Filarmônica Euterpe Japaratubense toca sua eternidade, enquanto o mundo, desafinado, insiste em transformar melodias em ruídos. O maestro da história segue regendo, mas será que a humanidade aprenderá a ouvir a harmonia antes que o último acorde da destruição seja tocado?