CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de maio de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de maio de 2025
Publicado em 08/05/2025 às 0:53

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

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O dia 7 de maio amanheceu com ares de novela mexicana — daquelas que misturam emoção, suspense e um toque dramático de realismo mágico. O céu chorava sobre Sergipe, lavando as calçadas com lágrimas de nuvem, como se os anjos lamentassem algo que os homens ainda fingiam não ver. E talvez fosse a terra que, cansada de ser ignorada, resolveu protestar com enchentes, alagamentos e buzinas emudecidas pela água. Um protesto hidrológico.

No aeroporto de Aracaju, um pássaro de metal decidiu que não voaria. O voo da GOL, com destino à vizinha Salvador, abortou a missão após um surto técnico. A aeronave, talvez com vertigem existencial, recusou-se a decolar. Dizem que foi “por segurança”. Eu acho que foi por consciência. O avião sentiu que, nesse mundo doido, não há céu que valha a pena quando o chão está tão fora de ordem.

Enquanto a asa de lata recebia massagem mecânica, os passageiros, com os pés no chão e a cabeça nas nuvens, tentavam manter o humor — ou pelo menos o Wi-Fi. “Você viu, rapaz, mais fácil o Papa ser escolhido hoje do que esse avião sair daqui!” — disse um senhor, sem saber que na Capela Sistina a fumaça preta também dava o ar da desgraça.

Sim, lá no Vaticano, os cardeais sopraram esperança pela chaminé, mas o que saiu foi carvão puro. A fumaça preta do conclave anunciou que o mundo ainda vai ter que esperar.

Do outro lado do mundo — mais precisamente nos gabinetes gelados de Brasília — o COPOM elevou os juros para 14,75%. Subiu mais do que foguete da SpaceX. A economia, essa senhora de vestido rasgado e sapato furado, agora dança num ritmo que poucos conseguem acompanhar. O povo, coitado, virou equilibrista de salário mínimo sobre a corda bamba do crédito.

E como se não bastasse o tsunami das taxas, vem a Câmara dos Deputados com sua coreografia de conveniências, suspendendo o processo contra o deputado Ramagem no STF. O homem é réu por tentativa de golpe, mas ganhou um passe livre. Justiça com “j” minúsculo, escrita a lápis e facilmente apagável.

Mas nem tudo foi tragédia nessa quarta de contrastes. A Universidade Federal de Sergipe, com seu DNA de resistência , está feliz com a nomeação do físico como reitor: André Maurício Conceição. Um homem que entende de átomos, gravidade e, quem sabe, da massa crítica que falta na política brasileira. Ao seu lado, Silvana Bretas, mulher de saberes pedagógicos e coragem silenciosa, assume como vice-reitora. Um alento em meio ao caos, como flor que nasce no asfalto — ou como livro que insiste em ser lido no meio da tempestade.

Enquanto isso, os estudantes da vida seguem embarcando em voos atrasados, orando por papas ausentes, tropeçando em poças de promessas e contando as moedas que sobram entre a feira e a fatura do cartão. Mas ainda resistem. Ainda sonham. Ainda respiram, mesmo quando a fumaça é preta.

Porque, no fundo, o Brasil é esse avião que não decola, essa urna que não escolhe papa, essa rua que alaga e esse povo que nada — contra a corrente, contra os juros, contra os golpes, contra os silêncios. Um povo que insiste em viver, mesmo quando o mundo tenta convencê-lo do contrário.