CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de junho de 2025
Labaredas, Esperanças e o Som das Balas: Crônica de um Sábado Incandescente
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No amanhecer deste sábado, o asfalto da BR-235 decidiu brincar de dragão e cuspir fogo em uma ambulância, lembrando a todos que, no Brasil, até as sirenes viram tochas improvisadas. Foi um espetáculo de labaredas, mas sem palmas, pois o Corpo de Bombeiros entrou em cena e domou o dragão de metal antes que ele devorasse alguma esperança.
Dizem que a ambulância se incendiou de tanta pressa, correndo para salvar vidas em meio ao caos – mas acabou incendiando a própria armadura. Ironia ardente, essa que nos cerca!
Enquanto isso, o INSS, sempre tardio como um relógio preguiçoso, resolveu que hoje era dia de bater ponto extra e distribuir migalhas aos necessitados do BPC. São 120 vagas para a esperança: um número que parece imenso no papel, mas que, no balcão da realidade, se resume a uma fila de sonhos esmigalhados. O aplicativo, o site, o telefone – todos esses portais digitais que prometem facilidade, mas que mais se parecem com labirintos onde o Minotauro devora a paciência do povo.
Em Brasília, a dança do consenso sindical segue um ritmo mais lento que um caranguejo dorminhoco. O ministro da vez, com sua retórica de algodão-doce, declarou que a regra para o trabalho aos feriados vai esperar o “consenso” – essa palavra mágica que só aparece quando todos estão de férias ou de ressaca moral. Empresários e trabalhadores, como dois boxeadores cansados, ainda tentam decidir quem bate e quem apanha. Enquanto isso, o feriado segue em suspense: será dia santo ou dia de ralar até o osso?
E cruzando as fronteiras, a Colômbia virou palco de tragédia e horror. O pré-candidato Miguel Uribe foi alvejado no coração da democracia. Balas que não votam, mas fazem sua própria campanha de terror. A juventude, encarnada num adolescente de 15 anos e uma arma de fogo, mostrou que a infância não conhece mais o balanço suave de um parque, mas o estalo seco de um revólver.
A cirurgia foi urgente, a esperança, delicada – e lá, na madrugada sangrenta de Bogotá, mais um capítulo foi escrito na crônica da violência que assombra a América Latina.
No meio dessas labaredas – de fogo real, de sonhos esfarelados, de feriados incertos e de tiros que ecoam nos corações – resta-nos a chama teimosa da poesia. Essa mesma que, mesmo ferida e cansada, insiste em arder nas entrelinhas das notícias.
E assim seguimos, meus caros leitores: como ambulâncias em chamas, como velas que se consomem em silêncio, como esperanças que se agarram à vida num fio de luz.
Que o sábado nos sirva de lembrança: somos todos faíscas esperando que o vento nos carregue para longe do incêndio – ou para perto de um recomeço.




