CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de julho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Senhoras e senhores passageiros desta nau jornalística chamada Brasil, apertem os cintos da razão, acendam os faróis da consciência e preparem os corações para uma travessia entre absurdos, lágrimas, esperanças, metáforas e uma pitada — ou melhor, uma colher generosa — de ironia.
Era segunda-feira, mas parecia segunda-feira ao quadrado. A semana mal se espreguiçava e o destino já nos servia tragédias e excentricidades com a mesma elegância de um garçom desajeitado em um restaurante cinco estrelas. E quem trouxe o primeiro prato foi a morte — essa velha senhora de preto — que levou Lizaldo Vieira dos Santos, ambientalista, político, poeta e sonhador. O coração da Grande Aracaju amanheceu menor, encolhido como flor que chora sem orvalho. Morreu Lizaldo e com ele, parte do verde, da luta e do verso. Faltam braços como os dele para abraçar a Terra, e faltam vozes como a sua para berrar contra o concreto surdo.
Enquanto isso, na passarela do cotidiano insano, um casal — que provavelmente trocou o roteiro de uma novela mexicana por um ato ao vivo — resolveu transformar a Avenida Marcelo Déda em ringue de UFC. Abandonaram o carro como quem larga um casamento falido e, ao invés de seguir o GPS da sensatez, rumaram para os braços do desatino. Embriaguez? Talvez. Mas o Brasil anda tão bêbado de absurdos que até o juízo tropeça.
Mas nem só de brigas se faz uma segunda-feira. Em meio ao caos, uma boa nova: o IFS abriu inscrições para cursos técnicos e de graduação. É a educação resistindo feito cacto no sertão, firme mesmo sem chuva. Quem sabe entre uma briga de trânsito e um discurso sem sentido, nasça um engenheiro, um técnico agrícola, um poeta de laboratório.
E falando em trilhos e trajetórias, o Brasil resolveu pegar carona na locomotiva chinesa. Assinou com o gigante asiático um memorando para pensar uma ferrovia. Sim, caro leitor, pensar! Porque no Brasil, às vezes, pensar já é avanço. Agora resta saber se essa estrada sairá do papel ou se virará apenas mais um trem de promessas que não chega na estação do povo.
Já no Chile, onde a água virou relíquia e o céu chora cada vez menos, os agricultores reinventaram o milagre: transformaram cabelo humano em tapete de salvação. O Agropelo é isso: um ninho de fios que agarra o pouco de umidade do solo e protege a semente como se fosse mãe de ventre seco. É o cabelo que antes alimentava vaidades agora alimentando a esperança. Ironia ou poesia? Ambos.
E por falar em ironia, preparem-se para a cereja do bolo amargo. Donald Trump, o laranja mais comentado do mundo ocidental, resolveu meter o bedelho nos assuntos tropicais e saiu em defesa de Bolsonaro. Pediu para deixarem o ex-presidente “em paz”, como quem pede clemência ao vento depois de derrubar a própria casa. Lula, que não é santo nem bobo, respondeu com firmeza: “Não aceito interferência”. E a gente, povo brasileiro, torce para que essa novela geopolítica não acabe em tragédia ou reprise.
Nos EUA, as águas não perdoam. O Texas, símbolo do poder e da bravura texana, agora grita socorro sob botes e chuvas. A natureza, cansada de alertas ignorados, responde com enchentes e desaparecidos. É o planeta, esse velho guerreiro, tentando lavar a alma suja da humanidade com lágrimas torrenciais.
E assim, entre notícias que arrancam risos nervosos e suspiros de saudade, seguimos. Porque o Brasil é isso: um palco onde a comédia e a tragédia se revezam sem ensaio. E a plateia, ora aplaude, ora chora. Mas nunca desiste de acreditar.
Saudações poéticas e críticas,
Antonio Glauber Santana Ferreira
Professor, cronista e passageiro desse navio chamado Brasil.




