CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de Agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de Agosto de 2025
Publicado em 08/08/2025 às 7:50

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia 07 de agosto amanheceu como um quadro de Salvador Dalí: relógios derretendo, certezas escorrendo pelas frestas do chão e o Brasil ali, feito personagem secundário de um filme surrealista, tentando sorrir enquanto o destino lhe dá tapinhas nas costas e sussurra: “Força, campeão… porque piora”.

Comecemos por Aracaju, que abriu suas janelas para a Mostra de Cinema Espanhol. Ah, a sétima arte! Entre tapas, beijos e monólogos existenciais, a capital sergipana tenta respirar cultura enquanto o asfalto, cansado de tanto buraco, poderia ganhar um documentário próprio: “Cratera: o Musical”. Imagino os espectadores saindo do cinema e tropeçando na própria realidade, como quem acorda de um sonho para perceber que a vida ainda é filme de baixo orçamento.

Enquanto isso, em Itabaianinha, o povoado Muquém ganhou os holofotes pelas razões erradas. Festa, música alta, sorrisos e… um punhado de violência para temperar. A investigação concluiu: lesão corporal leve. Leve? Só se for na balança do código penal, porque na alma de quem apanhou, a dor pesa toneladas. O agressor deve estar agora ensaiando o papel de “arrependido número 1”, aquele que chora na frente das câmeras, mas ri no zap dos amigos.

E já que estamos falando de crimes, vamos ampliar o mapa: facções criminosas espalhadas pelas divisas do Nordeste foram acordadas com a batida das botas da lei. Prisões, buscas, apreensões… e a eterna sensação de que é como varrer o deserto: limpa-se aqui, a sujeira se reorganiza ali, com mais eficiência que qualquer multinacional.

Mas nem só de facas e algemas vive a crônica. Tem também lixo — e não estou falando apenas do literal. Uma empresa de coleta em Aracaju, agora ré por crimes ambientais, mostra que até o descarte do descarte pode ser um negócio sujo. É quase poético: a missão era limpar a cidade, mas a sujeira maior estava na própria operação.

E na arena internacional, o circo abriu com Trump no picadeiro. Com a sutileza de um elefante em loja de cristais, ele taxou produtos brasileiros em 50% e ainda arrumou briga com a Índia, colocando mais 25% de tarifa. Lula, talvez sentindo-se personagem de um western político, já planeja visita à Índia em 2026. Imagino o diálogo:
— “Namastê, amigo, viemos falar de comércio.”
— “Claro, mas cuidado com a taxa de entrada.”

Por fim, os Estados Unidos resolveram parar as obras da chamada “Alcatraz dos Jacarés”, prisão para imigrantes em plena área de conservação da Flórida. Parece roteiro de filme B: bandidos presos no meio do pântano, jacarés nadando como guardas voluntários, e um juiz gritando “Corta!” antes da cena final. É bonito ver quando a justiça, mesmo tarde, decide que a paisagem vale mais que o lucro.

E assim seguimos, entre câmeras de cinema e câmeras de segurança, entre tapete vermelho e tapete de barro, entre discursos diplomáticos e gírias de presídio. O Brasil continua seu roteiro improvável, onde o drama vira comédia, a comédia vira tragédia, e o público — nós — assiste de pé, porque não tem cadeira para todo mundo.

No fim das contas, viver aqui é como participar de um filme interativo: a gente nunca sabe se está na cena certa, mas segue atuando, porque o roteiro não para. E talvez o grande plot twist seja esse — descobrir que, no palco da vida, todo mundo é ator, figurante e roteirista ao mesmo tempo.