CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de outubro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de outubro de 2025
Publicado em 07/10/2025 às 6:38

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O sol acordou preguiçoso nesta segunda-feira, bocejando por trás das nuvens como quem sabe que a semana já começa com cara de prova difícil. Lá vem a vida, esse vestibular diário sem gabarito, exigindo de nós dissertações sobre paciência, resiliência e boleto pago.

E falando em provas, a Universidade Federal de Sergipe abriu as portas do saber — ou melhor, as janelas do edital — oferecendo um prêmio digno de sonho acadêmico: R$ 13.288,85 de salário inicial. Ah, que beleza! Um número que brilha como miragem no deserto da educação brasileira. Enquanto isso, muitos professores ainda lutam com o salário que mal compra o giz, o pão e o “pacote de esperança” parcelado em doze vezes sem juros. Ser professor no Brasil é um concurso sem fim, em que o mérito é sobreviver ao desdém das políticas públicas e ao pó do apagador. Mas há sempre o brilho da vocação, aquele fogo teimoso que nem a falta de estrutura apaga — e é por isso que, mesmo cansado, o educador segue, de lápis na mão e fé no peito, escrevendo futuro na lousa da vida.

Enquanto isso, do outro lado do hemisfério, o senhor das manchetes Donald Trump, agora presidente dos Estados Unidos outra vez (porque o mundo adora repetir os capítulos ruins da série), resolveu fazer as pazes comerciais com o Brasil. Disse que teve uma conversa “muito boa” com Lula e que “vai ao Brasil em algum momento”. Em algum momento… talvez quando as árvores começarem a votar ou quando a Amazônia ganhar status de empresa listada na bolsa de Nova York. Trump é desses que conversa com um sorriso de negócios nos lábios e um contrato de intenções na mão — sempre pronto para vender o futuro em suaves prestações.

Mas o mais curioso é ele chamar Lula de “bom homem”. Ah, que ironia globalizada! É como se o lobo elogiasse o pastor enquanto contava as ovelhas. O palco diplomático é mesmo um teatro de máscaras, onde cada aperto de mão esconde um jogo de interesses e cada “amizade entre nações” é uma novela cheia de pausas dramáticas. No fundo, talvez o mundo precise de menos cúpulas e mais copos — de café, claro — para conversas honestas, sem tradutor nem discurso ensaiado.

E falando em fé (ou na falta dela), a Alemanha resolveu dançar com os anjos — literalmente. Igrejas vazias, outrora cheias de aleluia e incenso, agora se transformam em baladas, academias e centros culturais. O órgão sagrado dá lugar ao DJ, o vinho da missa vira drink colorido e os sinos tocam ao som do baixo eletrônico. Que espetáculo simbólico! As paredes que um dia guardaram orações agora ecoam batidas e luzes de neon. Talvez Deus esteja lá mesmo, rindo da ironia celestial: “Se não vêm mais a Mim, Eu vou até eles — com playlist e iluminação cênica.”

Há, porém, uma reflexão nesse carnaval espiritual: não será que a fé está apenas mudando de roupa? O ser humano continua buscando sentido — seja em um templo ou em uma pista de dança. O problema é quando confundimos transcendência com curtida e espiritualidade com curtida duplicada.

O dia 6 de outubro, enfim, foi um mosaico de contrastes: de professores sonhando com estabilidade a políticos sonhando com poder, de igrejas em silêncio a templos que agora dançam. E nós, simples espectadores, seguimos tropeçando entre o sagrado e o profano, tentando equilibrar a vida no fio da esperança.

Afinal, o mundo é uma grande sala de aula — e a prova da existência não tem data de encerramento. Que venham as inscrições, os concursos, as conversas diplomáticas e até as baladas nas catedrais — porque o importante, no fim das contas, é que a alma continue aprendendo, mesmo que o corpo já esteja cansado de tanto esperar.

Saudações do cronista-professor que ainda acredita que fé, educação e humor são os três pilares que sustentam o milagre cotidiano de acordar e tentar de novo.