CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de maio de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de maio de 2025
Publicado em 07/05/2025 às 11:26

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Na calçada da história, o tempo andou tropeçando em si mesmo neste 6 de maio. Uma terça-feira com gosto de segunda mal passada, embalada ao som de sirenes, martelos da Justiça e despedidas em tom menor.

Comecemos pelo fogo:
Em Aracaju, uma oficina virou forno. As chamas dançaram como bailarinas ensandecidas, com vestidos de fuligem e passos de destruição. O incêndio não pediu licença, não carimbou ponto, não apresentou CPF. Apenas chegou, e como todo fogo desgovernado, queimou mais que lata — queimou memórias, ferramentas, o sustento de famílias, talvez até esperanças estacionadas num canto do pátio.

Mas enquanto o fogo se espalhava pela oficina, outra queima acontecia nos bolsos do povo. O Copom, com mãos de tesoura e alma de usurário, elevou os juros para quase 14,75%. É o Brasil de sempre, onde o pobre paga o pato, a fatura e o parcelamento. No palco econômico, o Banco Central ensaia uma dança de cadeiras, mas quem sempre fica em pé é o trabalhador.

Já nos ônibus de Aracaju, um novo capítulo da epopeia urbana: as catracas duplas — aquelas gêmeas siamesas que barram, humilham e atrasam a vida — foram mandadas para o limbo judicial. A Justiça, em gesto raro de sensatez, decidiu que o cidadão não é boi para ser contado em curral. Uma vitória que parece pequena, mas que tem gosto de liberdade em forma de roleta vencida.

Enquanto isso, Sergipe se despedia de um farol: Raymundo Luiz, o homem que transformava microfones em varinhas mágicas e palavras em pontes. Jornalista, escritor, radialista, esportista e cronista da vida alheia com um ouvido na notícia e o coração no povo. Morreu aos 95, deixando cinco filhos e mil histórias. Partiu, mas ficou: na memória, no som das ondas do rádio, na tinta que não seca das palavras que escreveu.

Em Brasília, entre um cafezinho e uma medida provisória, Lula deu aval para ampliar a tarifa social de energia. Sim, é verdade. Pela primeira vez em muito tempo, uma luz no fim do túnel não é trem — é gratuidade na conta de luz. Quatorze milhões de brasileiros vão deixar de pagar o fio que os liga à esperança. Já os outros milhões, por enquanto, ganham só um desconto, porque o Brasil sempre anda em parcelas, inclusive na dignidade.

Mas se o Brasil tenta ligar a luz da cidadania, do outro lado do mundo, na Caxemira, o céu foi apagado por mísseis. Índia e Paquistão, eternos gladiadores nucleares, voltaram a medir seus ódios com brinquedos mortais. Oito vidas perdidas, uma delas de criança, em nome de uma retaliação que não cura, só perpetua o ciclo de dor. Lá, a geopolítica é feita de pólvora e orgulho ferido, e cada morte é apenas estatística nos noticiários internacionais — mas tragédia eterna no coração das famílias.

E assim foi o 6 de maio:
Um dia em que o fogo queimou oficina e juros, a Justiça tentou girar a roda ao contrário, um cronista se despediu do mundo deixando mais do que palavras, e a guerra — essa senhora teimosa — continuou colhendo crianças como se fossem folhas secas no outono da humanidade.

A vida, meus caros, é essa crônica de contrastes. Entre a lágrima e o alívio, entre a perda e o protesto, entre o adeus e o ainda-não. E nós, cronistas do cotidiano, seguimos anotando as batidas do coração do mundo — mesmo quando ele parece ter entrado em arritmia.