CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 06 de fevereiro de 2025
O Grande Baile das notícias
As notícias do dia 06 de fevereiro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE – 06 / 02 / 2025
O Brasil acorda, passa um café forte, veste sua máscara de otimismo e segue dançando no grande baile das aparências. Enquanto uns deslizam pelo salão em passos ensaiados, outros tropeçam nos buracos do asfalto e nas promessas que nunca se concretizam. O palco está montado, a orquestra toca, mas o povo dança conforme a música que não escolheu.
Em Pirambu, o Governo de Sergipe armou seu espetáculo itinerante: Sergipe é Aqui! E por um dia, o município virou palco de milagres administrativos. Cento e setenta serviços foram distribuídos como confetes de carnaval. Saúde, atendimento e sorrisos foram entregues de bandeja. Mas, assim como o bloco de carnaval que passa arrastando multidões e some na Quarta-Feira de Cinzas, no dia seguinte tudo volta ao normal.
Enquanto isso, no mercado das ilusões, as moedas falsas circulam em Sergipe com mais agilidade do que o dinheiro real. A ironia é cruel: o povo mal vê dinheiro verdadeiro no bolso, mas esbarra no falso em cada esquina. A economia patina, a inflação morde os calcanhares da classe média, e o trabalhador se vê perdido num tabuleiro onde só os espertos vencem. O crime, esse sim, é eficiente: imprime notas falsas com mais organização do que certas fábricas de moeda oficial.
E por falar em esperteza, mais de 400 vítimas caíram num golpe milionário de investimentos. A promessa era tentadora: dinheiro multiplicando como coelho em época fértil. Mas o que se multiplicou mesmo foram os prejuízos, e os golpistas, como bons ilusionistas, desapareceram. O brasileiro, acostumado a acreditar no impossível – seja na Mega-Sena ou em políticos carismáticos –, foi enganado mais uma vez. O golpe está aí, cai quem confia.
Mas não é só no Brasil que rastejantes proliferam. Na Austrália, 102 cobras venenosas foram encontradas no quintal de uma casa. O motivo? Falta de espaço para dar à luz. O curioso é que, por aqui, as cobras não se escondem em quintais, mas em gabinetes, plenários e reuniões de alto escalão. Enquanto na Austrália as serpentes se agrupam por necessidade, no Brasil elas se unem por conveniência, tramando leis, negociando cargos e assegurando sua perpetuação no poder.
O governo, em sua incansável cruzada contra os gigantes invisíveis, decidiu regular as Big Techs. Ministérios se reúnem, discursos inflamados ecoam pelos corredores de Brasília, e os algoritmos, indiferentes, seguem distribuindo desinformação, ódio e bolhas ideológicas. Regular a internet num mundo onde as redes sociais já dominam a política? Boa sorte. O jogo já foi decidido, e não foi pelo governo.
No Senado, uma nova CPI foi protocolada para investigar facções e milícias. A pergunta que não quer calar: desta vez será diferente? O histórico nos diz que não. CPI no Brasil é como novela: capítulos intensos, reviravoltas emocionantes e, no final, um desfecho sem grandes mudanças. As facções seguem dominando territórios, e as milícias, bem, essas já nem precisam se esconder.
E para encerrar o show de horrores, os Estados Unidos apreenderam mais um avião presidencial da Venezuela. Marco Rubio, supervisionando a operação, parecia um xerife do Velho Oeste confiscando a carroça de um bandido foragido. Maduro, cada vez mais isolado, assiste seus aviões sendo capturados como troféus em um jogo de dominação política. Enquanto isso, o povo venezuelano segue na batalha diária para sobreviver, entre inflação galopante e escassez.
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E assim seguimos, dançando nesse baile onde os figurões vestem máscaras de boas intenções, e o povo, sem fantasia, apenas luta para pagar o ingresso. O espetáculo não para, as luzes seguem acesas, e o show continua. Mas até quando?




