CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de Agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de Agosto de 2025
Publicado em 07/08/2025 às 8:55

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Na alvorada de um Brasil que acorda com o travesseiro ainda colado na cara e os pés tropeçando nas promessas de ontem, o dia 06 de agosto nos trouxe uma sopa fervente de ironias, com gosto de eletricidade cortada e tempero geopolítico vencido.

Aracaju, coitada, apareceu de novo nos noticiários como uma dama elegante que tenta subir a escada rolante que desce. Com um recurso na mão e um punhado de argumentos no bolso, foi bater à porta do TCE, pedindo, quase chorando:
— “Por obséquio, Excelência, deixe-me continuar sonhando com ônibus elétricos antes que me acordem com o ronco dos motores a diesel!”

A capital sergipana quer ser moderna, sustentável, verde-musgo e azul-cobalto, mas parece viver um eterno pesadelo movido a óleo queimado. O financiamento dos ônibus elétricos, essa esperança verde-limão sobre rodas, foi suspenso como quem tira um pirulito da boca de uma criança que já tinha escovado os dentes e rezado um Pai Nosso. Aracaju, de rímel escorrido e alma de ciclovia, luta para não ser empurrada de volta ao século passado, onde buzina era trilha sonora e o diesel era perfume de progresso.

Enquanto isso, no epicentro da ópera política chamada Brasília, o palco virou picadeiro. O presidente da Câmara, Hugo Motta, tentou — com mais jeitinho do que força — desocupar o plenário invadido pelos oposicionistas. Tentou como quem convence um gato a tomar banho. Mas os deputados de oposição estão acampados como adolescentes rebeldes no quarto da democracia, colando esparadrapo na boca e fazendo selfie com a Constituição.

Ah, a política brasileira… essa novela mexicana reescrita por roteiristas do Casseta & Planeta com direção de um reality show venezuelano. O plenário virou palco de protesto, auditório de stand-up e, por que não, sala de espera de um divã coletivo onde cada parlamentar acredita ser o centro do mundo — ou ao menos da próxima eleição.

E, enquanto Aracaju clama por energia limpa e o Congresso se suja de encenação, cruzamos o Atlântico rumo ao episódio mais James Bond sem glamour do dia: um soldado norte-americano, jovem como quem ainda deveria estar jogando Call of Duty no porão da mãe, resolveu brincar de espião. Aos 22 anos, entregou informações secretas sobre tanques dos EUA à Rússia, com direito a cartão de memória e tudo — como se fosse um pendrive cheio de memes proibidos.

A Guerra Fria, meus amigos, ressuscitou num pendrive de quinta categoria.
E o soldadinho, que devia estar defendendo a pátria, resolveu flertar com o inimigo no baile do Telegram. Os EUA, acostumados a vigiar o mundo com olhos de satélite, foram traídos por um olho míope dentro de casa.

É poético, se não fosse trágico.
É simbólico, se não fosse tão previsível.
É humano, no pior dos sentidos.

E assim seguimos, entre ônibus que não andam, plenários que não se esvaziam e tanques que trocam de lado na penumbra de um mundo cada vez mais digital e menos confiável. Tudo isso com uma trilha sonora composta por buzinas, gritos abafados e o som surdo da esperança sendo atropelada por um caminhão de burocracia.

No fim, o Brasil — essa entidade que sonha ser pássaro, mas vive com as asas presas ao asfalto quente — precisa mais do que ônibus elétricos: precisa de direção, de motoristas conscientes e, sobretudo, de combustível ético.

Que o amanhã não nos surpreenda com o tanque vazio e a alma em pane seca.