CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 05 de março de 2025
05 de março de 2025 entre despedidas e nascimentos, sambas e batalhas, golpes virtuais e esperanças comerciais.
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No grande tabuleiro da vida, onde os peões correm contra o tempo e os reis caem sem aviso, o dia 5 de março de 2025 se revelou um mosaico de emoções. Entre despedidas, renascimentos, folias e batalhas anunciadas, o mundo girou como um carro alegórico em noite de apuração.
Walter, um velho beagle, escreveu sua última página ao som das ondas. O mar, testemunha silenciosa de tantos sonhos e despedidas, embalou a passagem do cãozinho com um pôr do sol que tingiu o horizonte de saudade. No desfile final da existência, Walter foi campeão da ternura, aclamado pelo júri do amor incondicional. Entre um vento salgado e batatas fritas, sua tutora Amy entendeu o que os humanos custam a compreender: amar é deixar partir, mas nunca esquecer.
Enquanto Walter se despedia, um bebê nascia no meio do carnaval de Aracaju, desmentindo qualquer roteiro previsível da vida. Entre confetes e serpentinas, a criança abriu os olhos para um mundo onde a alegria e o caos dividem o mesmo palco. Seu primeiro choro se misturou ao tamborim, e, se fosse possível entender sua linguagem, ele talvez perguntasse: “Cheguei no meio da festa, mas qual é o enredo deste samba?”.
E por falar em festa, a Beija-Flor de Nilópolis provou, mais uma vez, que o tempo respeita quem sabe brilhar. Com 15 títulos na estante, a escola desfilou sua grandiosidade enquanto Neguinho, em um adeus que era mais um até logo, cantava como se cada nota fosse um bloco de memória. Lá do alto, Laíla deve ter sorrido, soprando um vento de inspiração sobre a Sapucaí.
Mas se no Rio de Janeiro o samba venceu, na geopolítica global, a bateria dos canhões afinava seu som. A China, em um tom que mistura bravata e estratégia, disse estar pronta para “qualquer tipo de guerra” com os EUA. Mais um capítulo da novela que nunca acaba, onde os protagonistas mudam, mas o roteiro continua previsível: tarifas, ameaças, egos inflados e um tabuleiro onde os reis fingem ser invencíveis, enquanto os peões pagam o preço da partida.
Enquanto isso, hackers tentavam invadir os portais do STJ e do CNJ, como se quisessem brincar de Deus no mundo digital. Mas a ironia suprema é que, no Brasil, os maiores ataques ao sistema de justiça não vêm de códigos binários, mas de decisões que transformam condenados em inocentes e inocentes em condenados.
E entre hackers e heróis, chegou a Páscoa, trazendo sua promessa anual de renovação e esperança. O comércio agradece, as prateleiras se enchem de ovos de chocolate, e o coelhinho, esse marqueteiro nato, segue faturando alto. Mas, no fundo, a ressurreição mais urgente não é a dos doces nas gôndolas, e sim a da fé na humanidade – essa, sim, em processo crítico de extinção.
E assim seguimos, entre despedidas e nascimentos, sambas e batalhas, golpes virtuais e esperanças comerciais. A vida, esse desfile sem ensaio, continua, e cada um de nós carrega seu próprio enredo, sem saber se no final receberemos aplausos ou vaias.
O certo é que, como Walter diante do mar, seguimos sentindo a brisa, esperando que, entre um tropeço e outro, possamos encontrar beleza mesmo nos momentos de despedida.




