CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de maio de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era uma segunda-feira com cheiro de café requentado e céu em prantos. Aracaju acordou lavada pelas lágrimas do tempo, e o viaduto, qual velho de joelhos estalando, passou por vistoria para saber se ainda aguenta os passos apressados dos apocalipses urbanos. A cidade é feita de concreto e remendos, e quando chove, os segredos das goteiras gritam nas paredes da engenharia esquecida.
Enquanto isso, um micro-ônibus, que deveria ser veículo de encontro e esperança, virou cambalhota de destino na BR-101, em Rosário do Catete. Onze vidas giraram no carrossel do acaso. O asfalto, sempre faminto, exigiu seu tributo. Uns saíram ilesos, outros foram parar no colo da urgência, levados pelos anjos de hélice do GTA. E o povo, como sempre, sobrevive – com costelas quebradas e fé remendada.
No noticiário que se diz otimista, o Brasil subiu cinco degraus no ranking de desenvolvimento humano da ONU. Uma escalada simbólica, como se subíssemos um barranco de barro em dia de chuva. Com um olho na renda, outro na saúde, o país tenta se maquiar diante do espelho global. Subimos, sim, mas ainda tropeçando nos próprios cadarços sociais. Afinal, o IDH também ignora a fila do SUS, o busão lotado das seis da manhã e a merenda escolar com gosto de ausência.
Em outro palco, os deputados federais ensaiam um espetáculo à parte. Querem mais 14 cadeiras no grande teatro da Câmara – como se o Brasil fosse uma peça com poucos personagens. Dizem que não haverá custos adicionais, apenas um rearranjo de verba, como quem jura que o cobertor estica para todos sem deixar ninguém com os pés de fora. R$ 39,1 milhões por ano é só o troco da padaria em Brasília.
E lá na Romênia, do lado de lá do Atlântico e da sensatez tropical, o premiê pediu as contas após ser deixado no vácuo eleitoral. A coalizão desmoronou como castelo de cartas num ventilador ligado. Dois nomes, George Simion e Nicusor Dan, agora duelam sob os olhos semicerrados do povo. Um país que também dança no tablado frágil da democracia e do cansaço.
O mundo, caro leitor, é esse trem desgovernado que vez ou outra para na estação das promessas. Há feridos, há esperanças, há estatísticas maquiadas com blush de propaganda oficial. Mas também há poesia, como a do povo que acorda cedo, trabalha duro e ainda sorri com dentes quebrados pela vida.
Chove em Aracaju. Chove na alma. E entre o viaduto trêmulo e o ônibus capotado, o Brasil continua… subindo de cinco em cinco degraus, mesmo que para isso precise, às vezes, descer o coração pelo elevador.




