CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de maio de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era uma vez um domingo que parecia novela: cheio de reviravoltas, emoções, raios-x de bactérias e uma Lady Gaga que, se dançasse mais forte, talvez fizesse o chão de Copacabana balançar mais que as placas tectônicas do coração brasileiro.
Na primeira cena do nosso enredo, cientistas de Campinas, mais afiados que bisturi de cirurgião de ficção científica, fizeram do bagaço da cana-de-açúcar um coquetel energético. Nada de caipirinha, meu povo! Era etanol que brotava da enzima como poesia líquida. Descobriram uma bactéria que devora bagaço como criança faminta por brigadeiro de festa e, com ela, desenharam um futuro onde o Brasil talvez ande de carro flex e consciência limpa. Uma gota de esperança no tanque furado de um planeta viciado em carbono.
Mas nem só de combustível verde vive o noticiário — Sergipe, meu torrão molhado de amor, virou aquarela em tons de cinza. O céu, inconformado com a calmaria, despejou baldes de lágrimas sobre os telhados do Mosqueiro e do Lamarão. A chuva chegou com a arrogância dos trovões e a pressa dos ventos, que gritavam aos quatro cantos: “A natureza também tem voz, e ela sabe rugir!”. Defesa Civil em alerta, guarda-chuva em punho, e nós, entre poças e promessas de enxurradas, torcendo pra que São Pedro não esteja de mau humor até terça-feira.
No outro canto do mundo — ou do abismo — Vladimir Putin, com a frieza de um iceberg russo e a pose de quem toma chá com Chernobyl, disse que ainda não foi necessário usar armas nucleares. “Espero que não sejam necessárias”, disse ele, como quem fala de aspirinas, não de apocalipses. A humanidade, mais uma vez, respira aliviada, mesmo sabendo que o botão vermelho ainda mora ali, no canto escuro da sala, esperando por um impulso insano ou uma queda de Wi-Fi.
Enquanto isso, no calçadão mais famoso do Brasil, Lady Gaga vestiu as cores da bandeira como se fosse Carmen Miranda reencarnada em glitter e beats. Mais de dois milhões de almas vibraram ao som de “Born This Way”, “Poker Face” e “Alejandro”, provando que, apesar das bombas e das tempestades, ainda sabemos dançar. A polícia, vestida de herói anônimo, evitou um atentado que poderia ter transformado a noite em tragédia. Salvou-se a festa, salvou-se a vida, salvou-se o direito de amar sem medo — um feito que, em tempos de ódio em HD, vale mais que mil discursos no Senado.
Mas a crônica não fecha sem uma pitada de ironia made in U.S.A. — Trump, o eterno personagem de si mesmo, resolveu taxar em 100% os filmes estrangeiros. Disse que o cinema americano está morrendo. Talvez porque o enredo da vida real nos Estados Unidos já tenha mais drama que qualquer produção iraniana. Com ares de diretor frustrado, ele quer dublar o mundo em inglês e rodar os créditos da globalização de trás pra frente.
E assim, entre enzimas brasileiras, chuvas sergipanas, bombas abortadas, divas internacionais e decretos protecionistas, seguimos — cambaleando como bêbados no baile da história — tentando não tropeçar no próprio futuro.
Porque se o mundo é um palco, como diria Shakespeare, hoje ele foi ópera, circo e reportagem investigativa. E nós? Somos os palhaços trágicos, os poetas molhados, os espectadores apaixonados.




