CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de junho de 2025

As veredas das notícias do dia 04 de junho de 2025.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de junho de 2025
Publicado em 05/06/2025 às 9:49


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Amanheceu o dia 04 de junho de 2025 com ares de tragédia grega encenada em praça pública, e as manchetes dançando como marionetes mal humoradas sob as cordas da hipocrisia e do poder. O sol nasceu de ressaca, cuspindo raios tímidos sobre um mundo que ainda insiste em tropeçar nos próprios cadarços.

Em Dores município do estado de Sergipe , o ex-prefeito e seus quatro escudeiros de bolso fundo foram condenados por fraude: quase um milhão de reais brincando de esconde-esconde no cofre público. Thiago de Souza Santos, numa performance digna de Oscar, discorda da sentença, como quem jura amor eterno à virtude, mesmo com as mãos sujas de poeira orçamentária. Mas a Justiça, ainda que cega, fareja o cheiro de notas fiscais como cão de guarda treinado.

No Hospital de Urgências de Sergipe, a esperança foi terceirizada. Agora, o bisturi troca de mãos como quem troca figurinhas raras, e a dor do paciente virou cláusula de contrato. O hospital é um navio à deriva no mar revolto da saúde, e o povo, náufrago de plantão, nada contra a maré da ganância. Vida humana virou custo fixo, e a compaixão, um item fora de estoque.

Enquanto isso, no STF, a toga virou capa de super-herói cansado, tentando aparar as arestas cortantes das redes sociais. É julgamento de palavras, tribunal de memes, e a verdade, essa coitada, tentando respirar em meio ao entulho digital. Cada postagem venenosa é um tiro de canhão no coração da democracia, e o STF, armado de códigos e dúvidas, tenta enxugar esse dilúvio de mentiras com lenço de papel.

Do outro lado do planeta, Gaza chora 95 lágrimas de sangue. Israel insiste em transformar a fome em arma de guerra, enquanto o Itamaraty ensaia protestos diplomáticos que soam como orações de joelhos trêmulos. “É inaceitável!”, grita a nota oficial, mas a morte não lê telegramas nem respeita carimbos. Em Gaza, cada pedaço de pão é uma trincheira, e cada mãe que chora é um poema sem rima – um poema que sangra, mas não desiste.

E no altar das esperanças, o Papa Leão XIV, feito poeta de toga branca, conversa com Putin. Palavras de paz voando como andorinhas num céu de tempestade. Mas quem confia em diálogos quando as balas têm mais pressa? Ainda assim, bendita seja a esperança que insiste em florir em solo minado.

E assim, 04 de junho se despede no horizonte, carregando nos bolsos a ironia de quem sabe que o mundo gira sem pedir licença. Ficamos nós, cronistas de plantão, tentando decifrar essa dança macabra de manchetes e corações partidos. Porque escrever é resistir – e resistir é a mais poética forma de existir.