CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de junho de 2025
As manchetes do 4º dia de junho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
05 de junho dia mundial do meio ambiente o dia amanheceu sob o signo de um céu que hesitava entre o azul da esperança e o cinza da desilusão. As notícias de hoje, como um cardápio de ironias, me convidaram a provar cada manchete como quem degusta um banquete de paradoxos — e, claro, não recusei o convite.
Em Aracaju, a prefeita Emília Corrêa se blindou como quem veste uma armadura de rei medieval, montada num cavalo de aço com pneus de silêncio. R$ 312 mil por ano para alugar o carro que repele balas de 9 mm e revólveres, mas não repele o olhar indignado de quem paga a conta. Enquanto o carro desfila imune ao caos urbano, a cidade engole buracos, e o povo rebola no transporte público como se dançasse um forró de sacolejos. Afinal, no teatro do poder, a blindagem virou escudo contra o povo — e não para ele.
No picadeiro do legislativo, os deputados aplaudiram o adicional de periculosidade para os policiais civis, e Jean Rezende, presidente do Sinpol, ergueu a voz para lembrar que o banquete ainda não está completo. O salário virou pão dormido: alimenta pouco e ainda deixa migalhas para o chão. É um teatro de promessas, onde cada parlamentar veste a máscara de generoso, mas, por baixo, esconde o bolso ávido.
Em São Cristóvão, o Iphan e o município fizeram um pacto com as ruínas do passado. A Casa de Câmara e Cadeia vai trocar as correntes de ferrugem por correntes de esperança, e a estação ferroviária, que um dia foi porta de entrada do progresso, agora aguarda a ressurreição como quem espera o trem que nunca vem. O passado, enfim, terá direito ao seu retoque de dignidade — tomara que não seja só tinta fresca para fotos oficiais.
Enquanto isso, Carla Zambelli dança um balé de fuga e escândalo: o STF, regido por Alexandre de Moraes, afinou a orquestra de leis, e a Interpol entoou sua canção vermelha para a deputada que saiu do palco como quem abandona o palco antes do aplauso final. A lista vermelha virou seu tapete de fuga, e as manchetes, um retrato da vaidade que sempre cobra seu preço.
No outro extremo do mundo, Israel e Hezbollah escreveram mais um verso amargo na poesia bélica: mísseis e explosões, enquanto o mundo finge que não escuta a sinfonia de dor. Cada ataque é um trovão que sacode as esperanças de quem mora nas franjas do conflito.
Mas no coração da diplomacia, Lula foi recebido em Paris como herdeiro de Dom Pedro II. A Torre Eiffel, em verde e amarelo, piscou como um vaga-lume apaixonado, celebrando o amor franco-brasileiro. A homenagem da Academia Francesa a Lula foi como um tapete de palavras de seda para alguém que já trilhou muitos caminhos de pedra. No entanto, entre brioches e salamaleques, fica a pergunta: quem iluminará as favelas e os becos onde a luz da Torre Eiffel não alcança?
E, para não dizer que o mundo perdeu o senso de humor, Trump e Musk trocaram farpas nas redes sociais como dois pavões disputando um espelho. É o circo digital onde o riso é tão fugaz quanto a curtida — e a plateia, faminta por espetáculo, aplaude sem perceber que o palhaço é quem está no espelho.
Hoje, minha crônica é como um jardim de flores e espinhos. É uma colcha de retalhos costurada com fios de indignação, humor e esperança. Porque, no fundo, meu caro leitor, enquanto a prefeita desfila blindada e os prédios se erguem do pó, a vida segue pulsando nos becos e vielas onde nenhum carro blindado ousa passar. E ali, onde o povo ri e chora, nasce a poesia mais verdadeira: a que resiste a cada golpe de cinismo e a cada bala de silêncio.




