CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de maio de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de maio de 2025
Publicado em 04/05/2025 às 2:54

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O mundo girou mais uma vez sobre seus calcanhares enferrujados, e o dia 3 de maio de 2025 nos serviu um coquetel agridoce: uma dose de cinzas, outra de comércio em combustão maternal, pitadas de ironia institucional e, claro, um brinde canino digno de Guiness com ração premium.

No início da manhã, Aracaju acordou com fumaça no café. Uma oficina virou fogueira, e os carros – esses cavalos de aço modernos – relincharam de pânico em meio às labaredas. Era o fogo da modernidade queimando os pneus da imprudência, ou talvez o calor do abandono público derretendo mais um ponto da cidade. No fundo, cada oficina que queima também leva um pouco dos sonhos engraxados de quem suava por cada motor consertado.

Enquanto isso, o comércio se agita, animado com o Dia das Mães, como se amor se medisse em parcelas e abraços se comprasse com desconto progressivo. O capitalismo põe flores na vitrine, mas muitas mães só ganham silêncio, ausência e boletos vencidos. Ainda assim, vendem-se perfumes para cobrir o cheiro do descaso e panelas para cozinhar promessas que nunca foram servidas.

E por falar em promessas e cozidos mal temperados, o INSS decidiu que agora os aposentados podem pedir devolução de descontos indevidos sem intermediários. Aleluia! O idoso, antes jogado na fila invisível do sistema, agora ganhou um canal direto… que talvez funcione, talvez não, talvez vire mais um número de protocolo perdido no limbo digital. Mas já é alguma coisa, um respiro no asfalto quente da burocracia brasileira.

Já no Congresso Nacional, o Brasil virou uma pizzaria institucional: os parlamentares querem mais 14 cadeiras na Câmara, e não é para sentar melhor, é para caber mais ego, mais conchavo, mais café com chantagem. Com base no Censo, claro – porque se o povo aumentou, o cabide também deve crescer. Afinal, é preciso mais espaço para guardar promessas vazias, discursos recicláveis e interesses personalizados. O povo? Ah, o povo continua em pé na fila do SUS, vendo os senhores do poder erguerem poltronas novas em nome da “representatividade”.

No zoológico da realidade, o que arrancou sorrisos e espantos foi o encontro canino entre Reginald, o dogue alemão gigante, e Pearl, a chihuahua do tamanho de um suspiro. Um símbolo perfeito dos nossos tempos: extremos convivendo lado a lado, um medindo mais de um metro, outro quase invisível, como nossas desigualdades sociais. Um salto entre o luxo e a miséria, o que late forte e o que mal se ouve. Ainda assim, ambos celebrados como recordistas – porque até os paradoxos ganharam medalha.

Do outro lado do oceano, o Vaticano ergue a chaminé como quem prepara um espetáculo de fumaça e fé. Um novo Papa se anuncia como se fosse um herói saído das páginas do Apocalipse ou dos algoritmos do Twitter. Enquanto o incenso sobe, a esperança do povo desce – afinal, nem sempre o branco da fumaça ilumina o preto das almas.

E no Sudão do Sul, onde o mundo parece ter esquecido de ser gente, sete vidas foram apagadas num hospital. Médicos Sem Fronteiras viu sua missão ferida por balas com sobrenomes políticos. Quando até a caridade vira alvo, não é apenas a guerra que mata, é o silêncio do mundo civilizado que enterra junto.

E assim seguimos, nesse tabuleiro de xadrez onde a vida é peão, a esperança é bispo manco, e o rei… o rei se esconde enquanto a torre desaba.

Boa noite, Brasil. Que os seus incêndios sejam apenas metáforas. E que os seus cachorros, grandes ou pequenos, saibam latir por justiça melhor do que seus representantes.