CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 02 de março de 2025
Ainda Estamos Aqui…
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No grande palco da vida, onde os holofotes ora iluminam a glória, ora revelam as sombras, o Brasil finalmente subiu ao pódio dourado do Oscar e fez História. “Ainda Estou Aqui”, ressoou como um grito, uma lágrima engolida, um sussurro de resistência que rompeu fronteiras. Ainda Estou Aqui” gritou Walter Salles, ecoando nos corações de um país que sempre esperou a vez de ser protagonista, mas que tantas vezes foi relegado à plateia da História. Com os olhos marejados, o público brasileiro aplaudiu de pé, como quem segura um troféu invisível pelo simples direito de existir e resistir. Rubens Paiva, antes um nome perdido nos corredores frios da ditadura, agora brilha na tela, eterno e imortal.
No entanto, enquanto o cinema nacional brilha sob os refletores de Los Angeles, as cortinas da realidade nacional ainda se fecham sobre os bastidores de um país que gasta quatro vezes mais que a média mundial com tribunais, onde a justiça parece uma peça de teatro cara, sem aplausos e com ingressos impagáveis. O Supremo Tribunal Federal, esse grande diretor de enredos jurídicos, decide se a história de Eunice Paiva terá um final diferente ou se, como tantas outras tramas nacionais, o esquecimento será o último ato.
Enquanto isso, no Carnaval de Salvador, os drones desenharam o rosto de Fernanda Torres sobre o céu de um Brasil que olha para cima e sonha com um roteiro diferente. 600 drones, 600 astros digitais, formando uma constelação temporária em meio à folia, um mosaico tecnológico que simboliza o delírio de um país que oscila entre o real e o fantástico. Um Brasil que vê Fernanda Torres brilhar nas telas e, ao mesmo tempo, se pergunta: quem desenha os rostos dos anônimos que desaparecem nas páginas amareladas dos jornais?
Lá no Vaticano, o Papa Francisco luta contra o tempo, um peregrino frágil respirando oxigênio de alto fluxo, enquanto o mundo segura a respiração, como se temesse que o último suspiro do pontífice fosse também o último fio de moralidade de uma Igreja que há séculos carrega pecados demais. Estável, mas não fora de perigo. Vamos continuar rezando pela recuperação do Papa Francisco.
E por falar em guerras que insistem em não acabar, a Europa tenta escrever um roteiro de paz para a Ucrânia, um enredo de quatro atos, onde o final feliz ainda é incerto. O Reino Unido despeja bilhões em mísseis, como quem joga combustível sobre uma fogueira, enquanto diplomatas rascunham promessas que talvez nunca saiam do papel. No tabuleiro geopolítico, as peças se movem sem alma, enquanto os peões continuam a cair.
No Brasil, enquanto isso, um grupo de pesquisadores da UFS tenta desenvolver mantas para conter a erosão. Ah, se fosse possível tecer mantas contra a erosão da memória, da ética, da esperança! Se os engenheiros da verdade pudessem cobrir as feridas do passado, segurar o solo de uma nação que afunda sob o peso de suas próprias contradições.
E no campo, entre gols e dribles, o Santos vence o Bragantino e avança às semifinais do Paulista. Ah, o futebol, esse ópio que alivia as dores, essa anestesia coletiva que nos faz esquecer, ainda que por 90 minutos, que os problemas reais não têm prorrogação.
Mas enquanto os torcedores comemoram, o Tesouro Nacional revela que o Brasil não gasta apenas com juízes, mas também com juros impagáveis. A nação trabalha, sua, produz, mas a riqueza escorre pelos dedos de quem nunca a tocou de verdade. E assim seguimos, como um filme de roteiro previsível, onde a desigualdade sempre parece ganhar o Oscar de melhor coadjuvante.
E então, entre drones, tapetes vermelhos, tribunais de luxo, campos de futebol e trincheiras de guerra, o Brasil segue repetindo seu eterno mantra: “Ainda estou aqui”.




