CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 01 de março de 2025

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 01 de março de 2025
Publicado em 02/03/2025 às 16:04

1º de março de 2025 sábado de carnaval

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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


A vida é um bloco de Carnaval que não para, serpenteando entre as ladeiras da política, os arrastões da economia e os confetes de ilusões jogados ao vento. E como bons foliões do destino, seguimos sambando ao som de um frevo que ora embriaga, ora estremece a espinha.

Em Sergipe, a festa explode em cores e batuques. O Bloco Rasgadinho atravessa as ruas de Aracaju como um grito de resistência, um manifesto de alegria que se recusa a ser silenciado pelo peso dos boletos e das notícias ruins. No Baixo São Francisco, Neópolis faz do frevo sua bandeira, rodopiando como quem desafia o tempo. E lá em Pirambu, onde as ondas do mar aplaudem a folia, os foliões se entregam ao êxtase dos arrastões, provando que o riso é o antídoto para as tragédias cotidianas.

Mas enquanto o Brasil dança, o Tesouro faz contas e descobre que nossos tribunais de justiça são como camarotes VIP: custam caro e garantem privilégio a poucos. Quatro vezes mais que a média global, dizem os números. E para onde vai esse dinheiro? Para os salários e encargos trabalhistas, claro! Enquanto o trabalhador sua a fantasia no calor das ruas, certos togados desfilam em carros de luxo, julgando a vida alheia com a leveza de quem nunca pegou um ônibus lotado às seis da manhã.

Em Brasília, a realidade também tem seus foliões tresloucados. Um homem decidiu invadir o STF – talvez quisesse exigir um habeas corpus para sua paciência, já que a do povo brasileiro anda esgotada. Agrediu agentes, foi preso e solto na mesma velocidade com que se pula de um trio elétrico para outro. Afinal, nesse país, o rigor da lei tem critérios mais elásticos que um abadá mal costurado.

E do outro lado da fronteira da esperança, um velho guerreiro se despede do seu último Carnaval. Pepe Mujica, o poeta da política, o filósofo das palavras simples, anunciou que a doença o leva embora, como uma marchinha melancólica que se esvai na manhã de quarta-feira de cinzas. Ele, que governou sem pompa, que fez da ética sua estampa, agora ensina ao mundo que até os gigantes precisam descansar. Mas o legado de um homem não se apaga: Mujica se eterniza como a utopia que insiste em não morrer.

E enquanto isso, na geopolítica , Rishi Sunak declara apoio à Ucrânia contra a Rússia, como quem joga confetes sobre um incêndio. A guerra segue seu bloco fúnebre, tocando tambores de sangue, enquanto líderes mundiais sambam sobre os escombros da diplomacia. Trump, por sua vez, trata Zelensky como um folião desavisado que errou o caminho do bloco, ignorando que a história não perdoa os que dançam ao som dos canhões.

E assim seguimos, entre marchinhas e manchetes, entre a euforia do agora e a ressaca do amanhã. Porque o Brasil, meu amigo, é um eterno Carnaval de contradições – e nós, os pierrôs da existência, seguimos pulando entre a esperança e o caos.