CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de maio de 2025
O giro de notícias no perfume do primeiro dia de maio de 2025.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No palco do primeiro de maio, o mundo vestiu sua fantasia de paradoxos. Enquanto alguns dançavam com brindes, bingos e barcos em corridas festivas, outros choravam notas tristes embaladas por vozes eternas que, de tão doces, se confundiam com o som de saudades.
Nana Caymmi, a diva das palavras lentas e da dor bonita, despediu-se do palco da vida com a mesma classe com que embalava corações com Resposta ao Tempo. Foi-se como um verso que termina com reticências, deixando no ar o perfume dos sambas-canção e das bossa novas que ela carregava na alma. Seu coração, cansado de bater em ritmo descompassado, silenciou — mas seu canto ecoa entre as paredes do tempo. O Brasil perdeu a voz que sabia chorar e sussurrar amor com a mesma afinação.
Enquanto isso, Sergipe vive seu próprio número de mágica institucional. A desembargadora Iolanda Guimarães, toga em punho, assume o trono por alguns dias, como quem empresta a caneta real para assinar decretos temporários. O governador Fábio Mitidieri e seu vice sairam em excursão internacional, deixando o reino em regime de plantão judiciário. Ele foi ao Texas, não para ouvir country, mas para discutir petróleo e data center — ou como gostam de chamar hoje, “a modernidade vestida de Wi-Fi e energia fóssil”.
O trono de Mitidieri virou banco de rodoviária institucional: um sai, outro senta, e o povo… espera. Enquanto isso, no Museu Olímpio Campos, vai ter cerimônia, pompa, discursos e talvez até um cafezinho frio com pão de queijo requentado. Mas cuidado! Toda vez que a Justiça senta na cadeira do Executivo, o povo precisa ficar com os olhos abertos: ou é enredo de novela ou é prólogo de um drama.
Já os trabalhadores, coitados, usaram o feriado como quem respira depois de nadar numa semana afogada em boletos. Em Sergipe, celebraram o 1º de maio com uma corrida de barcos — metáfora perfeita do país: remando, remando, e o cais cada vez mais distante. Em São Paulo, o samba comeu solto na festa das centrais sindicais, com show, sorteio de carros e reivindicações velhas, recicladas como panfleto de esquina. O Brasil, como sempre, é um país que canta com voz rouca e sonha com olhos cansados.
Enquanto isso, no tabuleiro geopolítico da insanidade, Israel resolveu brincar de mira ao lado do palácio sírio, deixando fumaça e tensão em lugar de diplomacia. Netanyahu, qual pastor armado, prometeu cuidar dos drusos, mesmo que seja com tanques de amor e mísseis de proteção. Já a Coreia do Norte e a Rússia, parceiros de concreto e pólvora, começam a erguer uma ponte rodoviária. Não é para turistas, é claro. É para que os delírios estratégicos passem de um lado para o outro com mais velocidade. Porque o mundo não é mais dividido por ideologias — agora é por estradas e interesses.
E assim foi o 1º de maio:
Um barco que corre, uma ponte que liga, uma voz que cala, uma toga que governa.
O Dia do Trabalhador terminou como começa a semana de muitos: com um cansaço ancestral, um pão dormido e a esperança, ainda que cansada, de que algum dia o mundo seja governado por poetas. Ou ao menos por gente que saiba a diferença entre governar e explorar.
No fim do dia, Nana canta baixinho em alguma nuvem do céu:
“O tempo não para, não volta, não espera…”
Mas a gente segue — remando — nesse país .




