CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de janeiro de 2025

2025 CHEGOU

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de janeiro de 2025
Publicado em 02/01/2025 às 0:38

Crônica do Primeiro Dia do Ano


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O sol, ainda tímido, despontava no horizonte do novo ano, como quem abre uma janela depois de uma longa noite de festa. Janeiro chegou com suas malas cheias de promessas, reajustes e surpresas. No palco da vida, a plateia aguardava os primeiros atos de 2025, e, convenhamos, não faltaram protagonistas nesse enredo.

Logo de cara, um suspiro de esperança na educação: o novo piso salarial do(a) professor(a) entra em cena. Um reajuste de 6,27%, que parece mais um tapa simbólico do que um abraço acolhedor. Afinal, R$ 4.867,77 é o preço de um mês de sonhos que não cabem em boletos. Mas o professor, esse eterno funâmbulo, equilibra-se no fio da paciência enquanto ensina o mundo a sonhar. O aplauso tímido ecoa nos corredores das escolas, mas, cá entre nós, o roteiro da valorização ainda precisa de revisões mais ousadas.

Enquanto isso, a Mega da Virada, esse circo de ilusões anuais, distribuiu seu maior espetáculo. Oito sortudos agora carregam nos bolsos uma fortuna capaz de comprar castelos ou sustentar devaneios. Brasília, Curitiba, Osasco, Pinhais, Tupã e Nova Lima, viraram estrelas no mapa da esperança milionária. E nós, pobres mortais, seguimos acreditando que um pedaço de papel pode mudar o destino. Talvez seja isso que nos torne tão humanos: a fé no improvável.

Em Aracaju, Emília Corrêa assumiu a batuta da cidade, prometendo reger uma sinfonia de mudanças. O primeiro bebê de 2025, José Francisco, chegou como o protagonista mais puro deste dia, carregando nos pequenos braços a simbologia de um futuro intocado. Com 50 centímetros de esperança e um choro que grita por um mundo melhor, ele nos lembra que cada ano novo é, no fundo, uma página em branco.

Mas nem tudo são flores no jardim de janeiro. A coleta de lixo, suspensa e retomada em ritmo de tartaruga, transformou a capital sergipana em uma metáfora literal: um amontoado de promessas não cumpridas. Enquanto isso, Milão ousou banir o cigarro nas ruas, soprando ventos de modernidade. Já o FBI investiga um atropelamento mortal como ato de terrorismo, um lembrete cruel de que nem mesmo os dias de celebração escapam da sombra da violência.

No Rio de Janeiro, o novo prefeito abriu o ano com 46 decretos. Entre eles, a promessa de estudar o uso do Ozempic no combate à obesidade na rede pública. Um gesto que mistura ciência e política como quem mexe um caldeirão, tentando encontrar a fórmula mágica para uma saúde pública que anda claudicante.

E assim, o primeiro dia de 2025 passou como um trem: rápido, barulhento e carregado de passageiros diversos. Entre reajustes, nascimentos, tragédias e promessas, o ano novo começou a pintar sua tela, ora com pinceladas de esperança, ora com manchas de realidade.

E nós? Seguimos como espectadores e atores dessa peça interminável chamada vida, com os olhos fixos no horizonte, esperando o próximo ato, o próximo janeiro, ou talvez, apenas o próximo milagre. Afinal, o ano mal começou, e o espetáculo está só começando.