CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 01 de fevereiro de 2025

O Ballet do Poder, a Dança da Gasolina e o Tropeço do Papa

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 01 de fevereiro de 2025
Publicado em 02/02/2025 às 13:31

As Manchetes do 1º dia de fevereiro de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O grande palco do mundo abriu suas cortinas mais uma vez neste 1º de fevereiro de 2025. O espetáculo começou com um balé jurídico: a sergipana Roseline Rabelo subiu ao tablado da Ordem dos Advogados do Brasil, vestindo a beca de secretária-geral. Um feito! Dançou bem entre os togados, rodopiou entre as vaidades e conquistou seu espaço no salão iluminado da OAB. O Brasil, esse salão de baile sem música, aplaudiu.

Mas, enquanto Roseline valsava no tapete do prestígio, o povo brasileiro dançava… no sentido mais trágico da expressão. O Conselho Nacional de Política Fazendária resolveu brincar de coreógrafo e, num giro econômico desengonçado, subiu o preço da gasolina e do diesel. A nova dança do rebolation começou nos postos: motoristas rebolando para abastecer, donos de veículos dançando o frevo da indignação. Só o gás de cozinha resolveu sair da coreografia e abaixou um pouco. Um alívio tão simbólico quanto água no deserto.

E o Brasil segue seu balé de contrastes. Na Câmara dos Deputados, um espetáculo à parte: Hugo Motta, o mais jovem presidente, assumiu o palco, enquanto no Senado, Davi Alcolumbre voltou a sapatear no comando. Em seus discursos, garantiram que a democracia está mais forte do que nunca. A plateia (o povo), calejada de tantas promessas, olhou para o palco com desconfiança. Já assistiu essa peça antes.

No cenário internacional, uma fresta de esperança se abriu: a passagem de Rafah foi reaberta para que palestinos feridos cruzassem a fronteira e buscassem atendimento no Egito. Um gesto mínimo, um lenço de seda em meio ao ferro retorcido dos conflitos. A guerra, esse maestro cruel, continua regendo seu espetáculo de dor.

E, por falar em tropeços, o Papa Francisco virou protagonista de uma cena simbólica: sua bengala quebrou durante uma audiência no Vaticano. Foi um tropeço simples, mas carregado de metáfora. A Igreja, essa velha instituição de fé e poder, também parece precisar de um novo apoio para se manter firme diante de um mundo que muda mais rápido do que suas doutrinas.

Por fim, o palco europeu continuou com sua trilha sonora sombria. A Rússia, com seus drones e mísseis, atacou cidades na Ucrânia. O balé da destruição seguiu seu curso, deixando um rastro de sangue e lágrimas. O mundo, esse espectador impotente, assiste ao espetáculo com horror, mas sem coragem de intervir de fato.


E assim, fecham-se as cortinas de mais um dia. O espetáculo continua amanhã, com novos atores, novos roteiros, mas sempre com o mesmo drama: o povo dançando ao som de uma orquestra que nunca toca a música certa.