ARTIGO

A Origem dos Filmes de Terror

A Origem dos Filmes de Terror
Publicado em 31/05/2025 às 15:18

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O gênero de filmes de terror ocupa um lugar singular no imaginário coletivo: ele provoca medo, mas também fascínio. Para entendermos essa dualidade que habita as telas do cinema, precisamos retornar às suas origens.

A semente do cinema de terror germinou nas primeiras décadas do século XX, quando a sétima arte ainda descobria seu poder narrativo. É impossível falar desse começo sem mencionar Georges Méliès, o mago do cinema, que em 1896 dirigiu Le Manoir du Diable (O Castelo do Diabo), considerado o primeiro filme de terror. Méliès, com seu espírito de ilusionista, criou cenários fantásticos e truques visuais que, mesmo rudimentares, encantaram e assustaram o público.

À medida que o cinema avançava, outras figuras emergiram para consolidar o gênero. Nos anos 1920, o expressionismo alemão trouxe ao mundo obras-primas como O Gabinete do Dr. Caligari (1920) e Nosferatu (1922). Esses filmes, com suas sombras distorcidas e atmosferas oníricas, influenciaram profundamente o terror cinematográfico, sugerindo que o medo muitas vezes nasce de atmosferas carregadas e do psicológico humano.

Nos Estados Unidos, a década de 1930 consolidou a era de ouro dos monstros. A Universal Pictures criou ícones como Drácula, Frankenstein e a Múmia, imortalizando o terror em preto e branco e dando rosto aos medos ancestrais da humanidade. Esses filmes misturavam o sobrenatural com dilemas humanos, tornando seus vilões figuras trágicas, não apenas ameaçadoras.

O pós-guerra trouxe mudanças ao gênero. A paranoia da Guerra Fria e as incertezas nucleares alimentaram filmes de monstros gigantes e invasões alienígenas, como Godzilla (1954) e A Coisa (1951). Os medos do presente encontravam eco nas telas, provando que o terror sempre foi um reflexo das ansiedades sociais.

Nos anos 1960 e 1970, diretores como Alfred Hitchcock e George A. Romero reinventaram o gênero, apostando no horror psicológico e no gore explícito. Psicose (1960) e A Noite dos Mortos-Vivos (1968) mostraram que o verdadeiro monstro podia estar ao nosso lado – ou até dentro de nós.

Daí em diante, o terror seguiu mutante: vampiros românticos, serial killers mascarados, possessões demoníacas e horrores cósmicos continuam a povoar as telas. Mas a origem desse medo cinematográfico permanece a mesma: a inquietação humana diante do desconhecido.

O terror, portanto, é mais do que susto: é um espelho. Desde os truques de Méliès até as produções de Hollywood, ele nos faz encarar nossos próprios temores, e talvez até encontrar alguma beleza neles.