CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de julho de 2026

Por Antonio Glauber Santana Ferreira
O dia 22 de julho de 2026 desfilou com o mapa de Sergipe fazendo terapia de casal, um avião saindo de um esconderijo de 74 anos e o comércio internacional distribuindo tarifas como quem joga confete numa festa onde ninguém está sorrindo. Por aqui, a Seplan entregou ao IBGE o estudo dos novos limites entre Aracaju e São Cristóvão, com pequenos desvios para evitar que casas e elementos naturais sejam cortados pela navalha invisível da cartografia. Porque limite municipal é coisa séria: uma linha mal-humorada no mapa pode deixar o cidadão dormindo em São Cristóvão, tomando café em Aracaju e pagando o IPTU sabe Deus onde! O mapa, esse velho costureiro da geografia, agora precisa passar a agulha com cuidado para não transformar o quintal de alguém numa fronteira internacional, com o cachorro precisando de passaporte para buscar a bolinha do outro lado do muro. Enquanto Sergipe ajeitava suas linhas, o fundo do mar resolveu abrir o baú da memória: investigadores anunciaram ter encontrado perto de Porto Rico os destroços de um avião da Pan Am desaparecido em 1952. Foram 74 anos de silêncio debaixo das águas! O oceano guardou o segredo com mais competência que muito grupo de WhatsApp, embalando entre sal, escuridão e mistério uma tragédia que ajudou a transformar as normas de segurança da aviação. O passado pode até afundar, mas nunca desaparece completamente; um dia ele emerge, coberto de ferrugem, para lembrar que cada avanço da humanidade costuma carregar cicatrizes escondidas no porão da história. E, quando parecia que o dia já tinha mapa redesenhado e avião ressuscitado das profundezas, chegou o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, colocando Brasil e Estados Unidos naquele famoso romance diplomático em que um manda flores e o outro responde com uma nota fiscal. O governo brasileiro fala em reciprocidade, enquanto setores atingidos pedem negociação, porque numa guerra comercial ninguém atira bala: dispara imposto, lança tarifa e bombardeia a paciência do consumidor, que acaba encontrando os estilhaços justamente no próprio bolso. Reciprocidade parece simples — bateu, levou! —, mas economia não é briga de recreio, e tarifa não tem GPS para atingir somente político engravatado: ela viaja pela indústria, passeia pelo emprego, pega carona no preço e, quando menos esperamos, senta-se à nossa mesa perguntando se tem café. Assim terminou o dia: com fronteiras sendo cuidadosamente redesenhadas, um avião finalmente encontrado depois de quase três quartos de século e países medindo músculos com calculadoras nas mãos. Talvez a grande lição seja esta: a humanidade vive desenhando linhas para separar territórios, procurando no fundo do mar aquilo que perdeu e construindo muros econômicos para proteger o que possui. Mas o mundo, essa bola azul teimosa girando no escuro, continua nos lembrando que nenhuma fronteira consegue dividir completamente os nossos destinos. No fim das contas, somos todos passageiros do mesmo planeta — e seria bom que alguém verificasse as tarifas, apertasse os cintos e, pelo amor da geografia, confirmasse se o piloto sabe para onde estamos indo!




