CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de julho de 2026

Por Antonio Glauber Santana Ferreira
O dia 21 de julho de 2026 acordou em Sergipe com o IBGE batendo à porta da saúde em 50 municípios, levando na mão a prancheta, a estatística e aquela curiosidade oficial capaz de perguntar até se a dor de cabeça começou antes ou depois de abrir o aplicativo do banco. O objetivo é conhecer melhor a saúde da população, porque o Brasil é esse paciente extraordinário que toma chá para pressão, café para acordar, remédio para dormir e ainda responde que está “tudo bem” quando alguém pergunta como vai a vida. Enquanto isso, uma notícia boa chegou à mesa: o Brasil segue fora do Mapa da Fome e atingiu apenas 0,6% de insegurança alimentar severa, o menor índice já registrado. É uma vitória que merece aplausos, mas não acomodação, porque a fome é uma ladra silenciosa que entra pela porta da pobreza e rouba primeiro o pão, depois a esperança e, por último, a dignidade. Enquanto uma única panela cantar o samba triste do vazio, ainda haverá trabalho a fazer. Mas foi do outro lado da fronteira que a humanidade resolveu tropeçar nos próprios cadarços: estudantes brasileiros na Argentina passaram a evitar eventos, apagar redes sociais e até deixar de sair de casa por causa de uma onda de ameaças após a final da Copa do Mundo. Meu Deus do céu! A bola é redonda, mas certas cabeças conseguiram ficar quadradas! Futebol foi inventado para gritar gol, xingar o juiz por alguns segundos, fazer meme do adversário e depois tomar café com ele — não para transformar estudante de medicina em refugiado de arquibancada. Ameaçar alguém porque sua seleção ganhou ou perdeu é possuir a maturidade emocional de um mosquito preso dentro de uma garrafa de refrigerante. A Copa acabou, o juiz apitou, a taça encontrou seu dono, mas parece que alguns esqueceram de avisar ao ódio que ele deveria ter ido para o vestiário. E há uma ironia dolorosa nisso tudo: enquanto estudantes brasileiros estudam medicina para aprender a salvar vidas, existem pessoas precisando urgentemente de uma cirurgia para retirar a intolerância do coração e, quem sabe, implantar alguns gramas de bom senso no cérebro. Que Brasil e Argentina disputem mil partidas, discutam quem tem mais títulos, quem teve o maior craque e até quem faz o melhor churrasco — essa última discussão pode provocar uma guerra diplomática de verdade! —, mas ninguém deveria sentir medo por carregar uma bandeira. No fim, o retrato deste 21 de julho é curioso: o IBGE mede a saúde do corpo, a ONU mede a fome do estômago, mas ainda precisamos criar um instituto para medir a febre da intolerância. Talvez o termômetro explodisse. O Brasil conseguiu sair do Mapa da Fome; agora a humanidade precisa encontrar uma saída para o mapa do ódio. Porque rivalidade cabe perfeitamente dentro de um estádio. O preconceito, a violência e a ameaça não deveriam caber em lugar nenhum.




