CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de julho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de julho de 2026
Publicado em 21/07/2026 às 1:49

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 16 de julho de 2026 amanheceu com a política contando bilhões, a diplomacia medindo palavras com régua e os Estados Unidos olhando para o relógio dos estrangeiros como um porteiro de festa perguntando: “Vai ficar até que horas?”. Em Aracaju, a Câmara Municipal aprovou uma LDO de R$ 4 bilhões para 2027, uma montanha de dinheiro tão alta que, se empilhada em notas, talvez desse para construir um viaduto até a Lua e ainda sobrasse troco para tapar uns buracos na Terra. Quatro bilhões! O número entra pelos olhos vestido de príncipe, perfumado de esperança e montado num cavalo chamado Orçamento. O cidadão, porém, conhece bem essa novela: sabe que entre o dinheiro anunciado e a melhoria chegando ao bairro existe um caminho tão comprido que até o GPS suspira e pergunta se não seria melhor recalcular a rota. Que esses bilhões virem saúde, educação, saneamento, ruas dignas e serviços públicos, porque orçamento público não pode ser pavão de planilha, bonito para abrir as penas nos discursos e magro feito assombração quando chega à porta de quem precisa. Enquanto Aracaju fazia contas, o presidente do STF lembrava ao mundo que instituições e países merecem autonomia e respeito, numa época em que certas potências parecem aquele vizinho que fiscaliza o volume da televisão alheia enquanto a própria casa promove um baile. Os Estados Unidos criticam, o Brasil responde, a diplomacia ajeita a gravata e o planeta segue parecendo uma reunião de condomínio onde todos exigem silêncio, mas ninguém quer desligar a própria furadeira. E, para completar o cardápio internacional, os EUA decidiram apertar o relógio para estudantes, intercambistas e jornalistas estrangeiros, transformando o visto quase numa ampulheta: entrou, estudou, trabalhou, piscou… acabou o tempo! A Estátua da Liberdade deve estar procurando um calendário na bolsa enquanto o Tio Sam aparece com um cronômetro na mão. No fim, entre bilhões prometidos, soberanias discutidas e permanências encurtadas, o mundo continua essa tragicomédia gigantesca em que o dinheiro corre de limusine, a diplomacia pisa em ovos e o cidadão comum vai a pé, desviando dos buracos e tentando não perder o visto, o ônibus nem a esperança. Talvez governar seja justamente aprender que números precisam ter rosto, fronteiras precisam ter humanidade e poder nenhum é tão grande que possa esquecer uma verdade simples: toda instituição, todo governo e toda nação deveriam existir para servir às pessoas — e não para transformar pessoas em figurantes de um espetáculo onde os protagonistas são sempre o dinheiro, o relógio e a vaidade.