CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abram a janela e vamos ler a crônica das notícias do 8º dia de junho de 2026.
Junho está vestido de remendos coloridos, chapéu de palha na cabeça e sanfona debaixo do braço. Em Aracaju, um ônibus resolveu abandonar a carreira de simples veículo e virou foguete junino. Não transporta apenas passageiros; leva sonhos, memórias e um punhado de saudades embaladas ao som de Luiz Gonzaga. O danado parece ter tomado mingau de milho e café forte, pois sai desfilando pelas ruas como se fosse o próprio rei do baião procurando um arraial perdido entre as avenidas da capital.
Enquanto isso, lá nas terras dos processos e das investigações, uma delação resolveu aparecer como aqueles bolos de festa que chegam enormes, cheios de cobertura, mas quando se corta a primeira fatia descobre-se que o recheio ficou devendo. Os investigadores olharam para o documento como quem examina uma espiga de milho sem grãos: muito barulho na palha e pouca novidade no sabugo. A política brasileira continua sendo uma novela tão comprida que até os capítulos já pedem aposentadoria.
Mas nem só de sanfona e papelada vive o mundo. Do outro lado do oceano, a ciência apareceu vestida de heroína. A farmacêutica francesa Sanofi anunciou um novo avanço no tratamento do mieloma múltiplo. E aí a esperança, essa moça teimosa que nunca perde o endereço, bateu novamente à porta de milhares de famílias. Quando a medicina avança, parece que a própria vida ganha uma chuteira nova para driblar a doença. É como se a humanidade acendesse mais uma vela contra a escuridão.
E assim segue o mundo: um ônibus cantando forró pelas ruas, uma delação tentando encontrar seu roteiro e a ciência escrevendo versos de esperança nos laboratórios. A vida é essa quadrilha curiosa. Um passo para frente, dois para o lado, uma risada aqui, uma preocupação ali.
No fim das contas, junho nos ensina que entre o som da sanfona e o silêncio dos hospitais existe algo que nunca deveria faltar: a capacidade de acreditar. Porque enquanto houver música para alegrar a alma e ciência para salvar vidas, o coração humano continuará dançando forró com a esperança, mesmo quando a banda da realidade insiste em tocar desafinada.
E como diria o velho matuto filósofo da esquina: “se a vida é um arraial, que Deus nos dê coragem para dançar e bom humor para não tropeçar na própria sandália.”
Até amanhã, meus amigos leitores. Junho ainda tem muito baião para tocar e muitas histórias para contar.




