CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 17 de fevereiro amanheceu com o sol meio pensativo, como um velho cronista sentado na beira do rio, olhando a correnteza e perguntando à vida: “Para onde vocês estão indo com tanta pressa?”
O Carnaval ainda dançava pelas ruas, mas não era apenas a alegria que desfilava. Havia também o silêncio pesado das notícias — aquelas que chegam como vento frio em tarde de verão, arrepiando até a sombra.
Sergipe registrou mais de trinta afogamentos e uma morte durante o Carnaval.
Trinta… número que parece uma fileira de cadeiras vazias na praia da vida.
O mar, esse velho poeta salgado, às vezes canta, às vezes abraça… e às vezes leva.
O mar não é vilão, não. O mar é apenas o mar — quem brinca com gigante precisa aprender a respeitar seus passos.
Mas o brasileiro, ah… o brasileiro às vezes acha que onda é rede de balanço e correnteza é estrada asfaltada.
E lá vai gente mergulhando na imprudência como quem mergulha num copo de cachaça: achando que o fundo é perto… até descobrir que não é.
E os bombeiros, heróis de botas molhadas e olhos cansados, viraram pescadores de vidas, puxando gente da boca da água como quem arranca sonhos da beira do abismo.
Enquanto isso, lá longe, em Brasília — aquela cidade que parece um tabuleiro de xadrez onde os peões falam alto e os reis cochicham — o STF anunciou que houve múltiplos acessos ilegais a dados de ministros e parentes.
Olhe só…
Nem os segredos conseguem mais dormir em paz.
Vivemos na era em que até o silêncio tem senha… e mesmo assim é hackeado.
Vazamentos, suspeitas artificiais…
A verdade, coitada, anda vestida de mendiga, batendo de porta em porta, enquanto a mentira desfila de limousine, sorrindo para as câmeras.
E o povo?
O povo assiste tudo como quem assiste novela, mas sem saber quem é o mocinho e quem é o vilão — porque às vezes o roteiro muda no intervalo comercial.
E, do outro lado do mundo, um juiz de imigração rejeitou a tentativa de deportar um estudante palestino que havia participado de protestos.
Olhe que coisa curiosa…
Enquanto uns querem expulsar vozes, outros ainda tentam proteger o direito de falar.
O mundo anda estranho…
Gente com medo de ideias, como se pensamento fosse vírus e opinião fosse terremoto.
Mas ideia não se deporta.
Ideia é como vento: atravessa fronteiras, muros e até as teimosias humanas.
E assim foi o dia 17 de fevereiro de 2026…
Um dia em que o mar chorou, os tribunais desconfiaram e o mundo discutiu o direito de falar.
E eu, aqui em Japaratuba, sentado com minha caneta — essa velha enxada de palavras — fico pensando…
A humanidade é como um bloco de Carnaval:
tem gente dançando, gente chorando, gente brigando, gente cantando… e um trio elétrico chamado Tempo passando por cima de tudo, sem pedir licença.
E a vida segue…
Segue como rio teimoso, como vento inquieto, como tambor de festa que nunca para de bater.
Porque, no fim das contas, o mundo é isso:
um grande palco onde a alegria e a tragédia dividem o mesmo camarim… e ninguém sabe quem entra primeiro em cena.
E amanhã…
Ah, amanhã o sol nasce de novo, com sua cara de cronista velho, perguntando outra vez:
— E então, humanidade… aprendeu alguma coisa hoje?
E a humanidade, coçando a cabeça, provavelmente responderá:
— Ainda não… mas estamos tentando.




