CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de janeiro de 2026
22 de janeiro de 2026 o cinema brasileiro está em festa o filme brasileiro: O Agente Secreto, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, cruzando o tapete vermelho como quem atravessa a feira livre: com identidade, suor e sotaque. Quatro indicações ao Oscar.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Olá, olá, caro leitor e cara leitora.
Direto de Japaratuba, esse interior que mastiga o mundo com farinha e devolve poesia, eu chego trazendo notícias no bolso e metáforas na sacola. Sente-se. Puxe a cadeira. Hoje o dia vem cinematográfico, afinado em hino e tropeçando na geopolítica como quem pisa em lego descalço.
Começo a crônica de pé, batendo palmas com as orelhas do coração: parabéns ao cinema brasileiro!
Nesta quinta-feira, a Academia de Hollywood — essa senhora de vestido longo e olhar seletivo — resolveu olhar para o Sul e enxergar talento onde sempre houve talento. Lá estava o filme O Agente Secreto, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, cruzando o tapete vermelho como quem atravessa a feira livre: com identidade, suor e sotaque. Quatro indicações ao Oscar! Melhor Elenco, Melhor Filme Internacional, Melhor Filme… e Wagner Moura disputando Melhor Ator — um rosto que carrega o Brasil nos olhos, como se cada ruga fosse uma avenida de contradições.
O Oscar, esse velho espelho dourado da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, piscou para nós. Não foi milagre. Foi persistência. O cinema brasileiro não pediu licença; entrou pela porta da frente, com roteiro afiado e silêncio ensurdecedor. A arte, quando é boa, não grita: sussurra e derruba paredes.
Enquanto as telas do mundo se iluminam, Aracaju afina a própria voz.
A Prefeitura abre edital para a criação do Hino Oficial de Aracaju, celebrando seus 171 anos. Um hino, leitor, não é só música: é documento emocional. É a cidade se olhando no espelho e cantando suas cicatrizes. Vai ter rio virando melodia, ponte rimando com saudade, mangue batendo no compasso do coração urbano. Tomara que o hino não seja apenas bonito — que seja verdadeiro. Que cante o sol e também a sombra. Porque cidade sem crítica vira jingle, e jingle não cria identidade, cria esquecimento.
E então, o noticiário resolve brincar de xadrez com o planeta.
Palestinos apoiam a entrada do Brasil no Conselho da Paz de Trump, diz o embaixador. Um conselho de paz comandado por Donald Trump soa como escola de natação administrada por tubarões: irônico, no mínimo. Lula ainda não respondeu ao convite, e os assessores cochicham que a ONU pode virar figurante num filme de baixo orçamento, enquanto o novo colegiado tenta roubar a cena.
A paz, hoje, anda armada até os dentes.
Personificou-se em mesas de negociação onde a palavra “diálogo” usa colete à prova de bala. O mundo quer paz, mas não quer ouvir. Quer acordo sem escuta, consenso sem concessão. E o Brasil, nesse palco, caminha na corda bamba: se entra, corre o risco de legitimar o esvaziamento; se não entra, acusam de omissão. Eis o dilema tropical: dançar conforme a música ou trocar o disco.
No fim do dia, tudo se mistura como roteiro bem escrito:
o cinema brasileiro brilhando, Aracaju buscando sua canção e a diplomacia global tropeçando nas próprias promessas. Arte pede coragem. Cidade pede memória. Política pede juízo — mas anda pedindo demais.
Fecho esta crônica com a sensação de que vivemos num grande filme:
às vezes drama, às vezes comédia, quase sempre tragicomédia. Mas seguimos. Com humor como colete salva-vidas, ironia como lanterna e poesia como bússola. Porque, no Brasil e no mundo, se a realidade insiste em ser dura, a crônica insiste em ser humana.




