CRÔNICA
CRÔNICA DO PROFESSOR ANTONIO GLAUBERSOBRE AS NOTÍCIAS DO DIA 10 DE JANEIRO DE 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Ah, 10 de janeiro de 2026… dia em que o mundo parece ter sido escrito por um poeta lunático que bebeu café com sal e resolveu, sarcasticamente, transformar fatos em fábulas. A madrugada ainda espreguiçava seus sonhos quando o noticiário desfilou, meio desnudo, pela avenida das nossas ansiedades — tão confuso quanto tentar entender um samba-enredo sem bateria.
No nosso solo arretado de Aracaju, cidade que insiste em ser terra de sol e sambinha, os preços dos imóveis subiram tão modestamente que até lesma teria velocidade maior — Aracaju foi coroada com a medalha de menor aumento no valor de imóveis do Brasil, como se os tijolos daqui tivessem combinado uma greve silenciosa por melhores condições salariais. É a economia praticando yoga: lentidão faz parte da meditação.
Enquanto isso, o Procon da capital tomou sua capa de fiscal e rumou às praias, emboscando bares como se fossem piratas procurando rum escondido, cuidando das areias e das contas, garantindo que nem o chope nem a caipirinha pudessem conspirar em desfavor do consumidor. Quase um super-herói dos descontos, com um crachá em vez de capa.
E na roleta cósmica do Brasil — que alguns chamam de Mega-Sena — o prêmio saltou como sapo numa panela quente para R$ 20 milhões. A matemática do universo parece ter sorrido de orelha a orelha: 07-09-14-35-42-49, números que dançam como pirilampos em noite de verão. A quina riu de maldade, distribuindo prêmios de quase R$ 9 mil para 186 sortudos, como se dissesse: “Quer fortuna? Toma um troco e volta amanhã!”
No tabuleiro diplomático, o Brasil decidiu pendurar sua bandeira no cabide da Venezuela e deixar a representação da Argentina lá, como quem diz: “Já fizemos nossa parte, agora sigam com seus vinhos e churrascos.” Diplomatas cochicharam que defenderam a “inviolabilidade da residência argentina” como quem defende o último pedaço de bolo na festa de família — com orgulho e ligeira fome de glória.
E, num levante de exigência profissional, secretários de segurança pública bateram no peito e no teclado pedindo um ministério só deles, como se ministérios fossem alas VIP de boate e o da Justiça fosse pequeno demais para suas aspirações heroicas. Quem sabe um dia um ministério inclua café de qualidade e ar-condicionado eficiente?
No outro lado do globo, os EUA lançaram ataques em larga escala na Síria, numa repetição ritual que mistura revanche com pólvora e deixa quem assiste com o coração batendo no pescoço — espetáculo pirotécnico que ninguém pediu.
Lá no Irã, médicos disseram que hospitais estão tão lotados quanto coração de poeta em tarde de despedida, com protestos em massa que mais parecem tsunami de indignação. Enquanto isso, um Trump, tão presente no noticiário quanto mosquito em noite de verão, fez alertas que tilintam como sinos de campanha no deserto político.
Tempestades e nevascas na Europa vieram de mala e cuia, deixando o caos como lembrança: voos cancelados, trens parados, energia tão escassa quanto paciência de motorista no trânsito. O inverno europeu tem coração gelado e temperamento imprevisível, como uma amante ciumenta num romance mal resolvido.
E, para coroar o surrealismo geopolítico, os líderes da Groenlândia disseram com firmeza poética que não querem ser americanos — “Nosso futuro, escolhido por nós”, como quem recusa convite para baile de máscaras onde todos usam máscara, menos eles.
Ah, meu leitor… quando olho estas histórias, sinto que a realidade é um poema escrito em bordão de jornal, com estrofes de ironia e rimas de incredulidade. A vida, essa mestra impiedosa, nos empurra pela orelha para dentro da sala de aula do caos — e a lição de hoje é que o mundo não é sólido. Ele é leve como espuma de mar sob a lua, forte como tempestade que arranca telhados, e doce como sonho interrompido por despertador.
No final, só nos resta abraçar essa ópera de absurdos com um sorriso torto e a certeza de que amanhã — ah, amanhã — talvez seja outra crônica impossível de se prever.




