CRÔNICA

CRÔNICA DO PROFESSOR ANTONIO GLAUBER sobre as notícias do dia 08 de Janeiro de 2026

CRÔNICA DO PROFESSOR ANTONIO GLAUBER sobre as notícias do dia 08 de Janeiro de 2026
Publicado em 09/01/2026 às 20:59

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Era manhã de quinta-feira e o sol, como um funcionário público atrasado, espreguiçava seus primeiros raios preguiçosos sobre nossas manchetes arfantes. A cada notícia lida, meu coração batia como um tambor antigo — ora urgindo como um joão-bobo, ora soando firme como sinos de catedral em dia de festa.

A água que vazou na Zona Norte de Aracaju não foi apenas água — foi um tsunami doméstico disfarçado de goteira, uma sereia chorosa escorrendo pelas calçadas da vida, fazendo a população resmungar como quem descobre que a conta de fim de mês chegou com a mesma cara de sempre: alta e com olhar de desdém. A Iguá Sergipe, como um médico de novela, “realizou a correção na rede” e saiu sem tirar fotos dramáticas — o vazamento ficou lá, agora apenas na memória inflável dos moradores.

Enquanto isso, na arena mágica da saúde e aparência, cientistas trazem boa nova: quem abandona injeções como Mounjaro ou Wegovy pode recuperar o peso perdido “até quatro vezes mais rápido” que quem larga dieta e caminhada no meio da estrada da vida. — É a ciência nos lembrando: enquanto os ponteiros do relógio correm, os quilos também — com a precisão de um tango argentino e a teimosia de um herdeiro de sogra. A cada mês, 0,8 kg voltam como se dissessem: “Saudades!”

Ainda na seara do corpo que envelhece e do cérebro que luta contra o fim, a Anvisa aprovou o medicamento Leqembi para desacelerar o Alzheimer. Um passo importante, disseram: um passo de formiga no emaranhado labiríntico da mente humana. É como dar um guarda-chuva para quem está dentro da tempestade — não para deter a chuva, mas para permitir que a dança da vida continue, ainda que sob pingos teimosos.

No grande palco geopolítico, o presidente Lula, numa dança diplomática complexa, conversou com líderes da Colômbia, Canadá e México após ofensiva dos EUA, num episódio digno de um drama shakespeariano, onde cada palavra tem peso de balança e cada silêncio ecoa como martelo de juiz em fim de sessão. As tensões são fios invisíveis que nos seguram na beira da história — ou nos fazem tropeçar nela.

E, como se já não bastasse o tremor político, num ato que mais parece cena de telenovela com roteiro escrito por inteligências artificiais estressadas, o ministro da Justiça Lewandowski entregou sua carta de demissão. O substituto? Mistério digno de suspense cinematográfico: “quem será o próximo?”, pergunta a plateia. O tema da segurança pública treme nos bastidores, aguardando seu próximo protagonista.

No centro da festa cívica, Lula fez questão de vetar integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria — aquele que poderia beneficiar condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 — em um evento que mais parecia o batismo da nossa democracia, anunciando ao mundo que não deixaremos as chamas de um incêndio antigo simplesmente se apagarem no vento.

A ironia escancarou seu sorriso quando, do outro lado do globo, Kim Jong-un enviou carta a Putin, prometendo apoio eterno na suposta luta contra o “neonazismo contemporâneo”. Um compromisso tão silencioso quanto um pacto entre sombras à meia-noite, onde a palavra “eterno” ecoa como trovão em noite calma — uma metáfora ambulante de alianças que mais parecem abraços de polvo.

E assim caminhamos, entre vazamentos de água e vazamentos de sentido, entre cientistas que calculam quilos e políticos que recalculam destinos. Neste 08 de janeiro de 2026, somos todos protagonistas e plateia de uma peça que mistura tragédia, comédia e drama histórico — a democracia como campo de batalha, o corpo como campo de experimentos, o cérebro como jardim ainda por florescer.

No fim, talvez o maior desafio seja respirar. Respirar enquanto o mundo gira — às vezes tão rápido que nos lembra uma roda-gigante enferrujada — e lembrar que, apesar de tudo, ainda somos capazes de rir, refletir, criticar e amar. Mesmo que seja um riso sarcástico, um suspiro resignado, ou um abraço que tenta repele o caos. Porque viver, meus amigos, é isso: um constante aprender a dançar no meio das manchetes.