CRÔNICA
CRÔNICA DO PROFESSOR ANTONIO GLAUBER sobre as notícias do dia 08 de Janeiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Era manhã de quinta-feira e o sol, como um funcionário público atrasado, espreguiçava seus primeiros raios preguiçosos sobre nossas manchetes arfantes. A cada notícia lida, meu coração batia como um tambor antigo — ora urgindo como um joão-bobo, ora soando firme como sinos de catedral em dia de festa.
A água que vazou na Zona Norte de Aracaju não foi apenas água — foi um tsunami doméstico disfarçado de goteira, uma sereia chorosa escorrendo pelas calçadas da vida, fazendo a população resmungar como quem descobre que a conta de fim de mês chegou com a mesma cara de sempre: alta e com olhar de desdém. A Iguá Sergipe, como um médico de novela, “realizou a correção na rede” e saiu sem tirar fotos dramáticas — o vazamento ficou lá, agora apenas na memória inflável dos moradores.
Enquanto isso, na arena mágica da saúde e aparência, cientistas trazem boa nova: quem abandona injeções como Mounjaro ou Wegovy pode recuperar o peso perdido “até quatro vezes mais rápido” que quem larga dieta e caminhada no meio da estrada da vida. — É a ciência nos lembrando: enquanto os ponteiros do relógio correm, os quilos também — com a precisão de um tango argentino e a teimosia de um herdeiro de sogra. A cada mês, 0,8 kg voltam como se dissessem: “Saudades!”
Ainda na seara do corpo que envelhece e do cérebro que luta contra o fim, a Anvisa aprovou o medicamento Leqembi para desacelerar o Alzheimer. Um passo importante, disseram: um passo de formiga no emaranhado labiríntico da mente humana. É como dar um guarda-chuva para quem está dentro da tempestade — não para deter a chuva, mas para permitir que a dança da vida continue, ainda que sob pingos teimosos.
No grande palco geopolítico, o presidente Lula, numa dança diplomática complexa, conversou com líderes da Colômbia, Canadá e México após ofensiva dos EUA, num episódio digno de um drama shakespeariano, onde cada palavra tem peso de balança e cada silêncio ecoa como martelo de juiz em fim de sessão. As tensões são fios invisíveis que nos seguram na beira da história — ou nos fazem tropeçar nela.
E, como se já não bastasse o tremor político, num ato que mais parece cena de telenovela com roteiro escrito por inteligências artificiais estressadas, o ministro da Justiça Lewandowski entregou sua carta de demissão. O substituto? Mistério digno de suspense cinematográfico: “quem será o próximo?”, pergunta a plateia. O tema da segurança pública treme nos bastidores, aguardando seu próximo protagonista.
No centro da festa cívica, Lula fez questão de vetar integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria — aquele que poderia beneficiar condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 — em um evento que mais parecia o batismo da nossa democracia, anunciando ao mundo que não deixaremos as chamas de um incêndio antigo simplesmente se apagarem no vento.
A ironia escancarou seu sorriso quando, do outro lado do globo, Kim Jong-un enviou carta a Putin, prometendo apoio eterno na suposta luta contra o “neonazismo contemporâneo”. Um compromisso tão silencioso quanto um pacto entre sombras à meia-noite, onde a palavra “eterno” ecoa como trovão em noite calma — uma metáfora ambulante de alianças que mais parecem abraços de polvo.
E assim caminhamos, entre vazamentos de água e vazamentos de sentido, entre cientistas que calculam quilos e políticos que recalculam destinos. Neste 08 de janeiro de 2026, somos todos protagonistas e plateia de uma peça que mistura tragédia, comédia e drama histórico — a democracia como campo de batalha, o corpo como campo de experimentos, o cérebro como jardim ainda por florescer.
No fim, talvez o maior desafio seja respirar. Respirar enquanto o mundo gira — às vezes tão rápido que nos lembra uma roda-gigante enferrujada — e lembrar que, apesar de tudo, ainda somos capazes de rir, refletir, criticar e amar. Mesmo que seja um riso sarcástico, um suspiro resignado, ou um abraço que tenta repele o caos. Porque viver, meus amigos, é isso: um constante aprender a dançar no meio das manchetes.




