CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de dezembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de dezembro de 2025
Publicado em 27/12/2025 às 5:28

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O Senhor dia 26 amanheceu com cheiro de protetor solar misturado a mandado de prisão. Em Aracaju, o turismo sorriu com dentes de glitter: malas bocejaram, hotéis estufaram o peito e o mar — esse velho vendedor de ilusões — ofereceu descontos em pôr do sol. A cidade vestiu sandálias de esperança e caminhou rumo ao Ano-Novo como quem acredita que a virada do calendário também vira o juízo.

Mas o noticiário, esse saxofone rouco, soprou notas dissonantes. Silvinei Vasques voltou escoltado pela realidade, depois de tentar enganar o mundo com documentos falsos — papel aceita tudo, mas a fronteira não aceita farsa. Preso no Paraguai, retornou ao Brasil como quem volta de férias sem lembrancinhas, apenas com a bagagem pesada da culpa. Alexandre de Moraes assinou o ponto da história: prisão preventiva, a caneta que não perdoa truques de mágica.

Enquanto isso, Alexandre Ramagem foi lembrado de que dinheiro público não evapora: R$ 10 mil cobrados de volta, como eco de um recibo que grita. Foragido, deixou o país correndo do espelho — e o espelho corre junto. A burocracia, paciente como um caramujo, aprendeu a morder.

No hospital, Jair Bolsonaro travou outra batalha: fisioterapia, remédios contra trombose, soluço e refluxo — o corpo pedindo trégua, o estômago reclamando da própria história. A hérnia foi suturada; as contradições, não. O organismo tenta se alinhar; o país observa, com o termômetro da memória.

Longe daqui, na Síria, o horror interrompeu orações. Uma mesquita em Homs foi ferida por explosões — seis mortos, vinte e um feridos — e Deus, silenciado por estilhaços, chorou poeira. O templo, casa da fé, virou casa do luto. A violência, essa besta sem religião, entrou descalça e saiu deixando sangue no tapete.

Entre a espuma do turismo e a ferrugem da barbárie, o Brasil e o mundo ensaiam passos de virada. O Ano-Novo acena como promessa, mas a realidade cobra ingresso. Que o calendário vire, sim — mas que virem também as consciências. Porque o tempo não faz milagres sozinho: ele apenas oferece o palco. O resto é ensaio, coragem e responsabilidade.