CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de dezembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O Senhor dia 26 amanheceu com cheiro de protetor solar misturado a mandado de prisão. Em Aracaju, o turismo sorriu com dentes de glitter: malas bocejaram, hotéis estufaram o peito e o mar — esse velho vendedor de ilusões — ofereceu descontos em pôr do sol. A cidade vestiu sandálias de esperança e caminhou rumo ao Ano-Novo como quem acredita que a virada do calendário também vira o juízo.
Mas o noticiário, esse saxofone rouco, soprou notas dissonantes. Silvinei Vasques voltou escoltado pela realidade, depois de tentar enganar o mundo com documentos falsos — papel aceita tudo, mas a fronteira não aceita farsa. Preso no Paraguai, retornou ao Brasil como quem volta de férias sem lembrancinhas, apenas com a bagagem pesada da culpa. Alexandre de Moraes assinou o ponto da história: prisão preventiva, a caneta que não perdoa truques de mágica.
Enquanto isso, Alexandre Ramagem foi lembrado de que dinheiro público não evapora: R$ 10 mil cobrados de volta, como eco de um recibo que grita. Foragido, deixou o país correndo do espelho — e o espelho corre junto. A burocracia, paciente como um caramujo, aprendeu a morder.
No hospital, Jair Bolsonaro travou outra batalha: fisioterapia, remédios contra trombose, soluço e refluxo — o corpo pedindo trégua, o estômago reclamando da própria história. A hérnia foi suturada; as contradições, não. O organismo tenta se alinhar; o país observa, com o termômetro da memória.
Longe daqui, na Síria, o horror interrompeu orações. Uma mesquita em Homs foi ferida por explosões — seis mortos, vinte e um feridos — e Deus, silenciado por estilhaços, chorou poeira. O templo, casa da fé, virou casa do luto. A violência, essa besta sem religião, entrou descalça e saiu deixando sangue no tapete.
Entre a espuma do turismo e a ferrugem da barbárie, o Brasil e o mundo ensaiam passos de virada. O Ano-Novo acena como promessa, mas a realidade cobra ingresso. Que o calendário vire, sim — mas que virem também as consciências. Porque o tempo não faz milagres sozinho: ele apenas oferece o palco. O resto é ensaio, coragem e responsabilidade.




