CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de dezembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 23 acordou com a realidade vestida de fantasia — dessas de carnaval fora de época. Um chefão do tráfico resolveu brincar de morto-vivo: fingiu a própria morte, mas esqueceu de combinar com a polícia. Ressuscitou algemado no interior paulista, provando que no Brasil até o além tem endereço rastreável. A vida, irônica como ela só, cochichou: quem engana a morte acaba tropeçando na verdade.
Enquanto isso, nos salões encerados do poder, a toga ganhou holofotes. Indicação, sabatina, discurso polido — o Judiciário subiu ao palco como se fosse ópera, afinado por protocolos e expectativas. A democracia, senhora exigente, bateu palmas com parcimônia, lembrando que mérito não rima com aplauso fácil.
Lá fora, o mundo resolveu discutir aos gritos educados. Na ONU, palavras viraram projéteis diplomáticos: “extorsão”, “intimidação”, “caubói”. O planeta, cansado, suspirou em várias línguas. Potências posaram de xerifes, outras de vítimas, e a paz — essa figurante esquecida — ficou sentada no canto, esperando sua fala.
Assim foi o dia: um morto que não morreu, uma toga em ascensão e um planeta em disputa. A notícia, travessa, piscou o olho e avisou: a realidade não pede licença — entra, senta e serve ironia quente.




