CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de dezembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de dezembro de 2025
Publicado em 23/12/2025 às 21:40

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

https://professorantonioglauber.blogspot.com

Segunda-feira acordou com cheiro de veneno e gosto de nó na garganta. Em Japaratuba, a crueldade vestiu luvas invisíveis e espalhou morte em silêncio. Uma gata — inocente como um domingo de sol — foi calada à força. Não foi acidente: foi método. Veneno é a covardia líquida, o crime que anda de pantufas. A vizinhança virou velório coletivo de miados interrompidos. Fiz boletim de ocorrência, mas a justiça ainda caminha de chinelos enquanto a maldade corre de tênis.

No mesmo dia, a vida tentou equilibrar a balança: a vacina contra o HPV abriu as portas como um abraço preventivo, oferecendo futuro a jovens de 15 a 19 anos. Enquanto alguns semeiam morte, outros plantam anticorpos — pequenos escudos contra tragédias maiores. O SUS, esse herói cansado, segue de capa rasgada, mas de pé.

Lá longe, papéis respiraram aliviados: prorrogações, prazos, negociações. O Rio de Janeiro ganhou mais seis meses de permanência no regime de recuperação fiscal como se a burocracia fosse um analgésico para dores crônicas. Já na Holanda, um desfile virou sirene; passos viraram susto; o asfalto mordeu gente. O mundo, esse animal grande, às vezes também se assusta e atropela.

Entre o veneno doméstico e o tumulto global, fica a pergunta que lateja: quem cuida da vida quando a crueldade decide brincar de Deus? Hoje, a resposta pede vacina no braço, denúncia no papel e humanidade no coração — urgente, antes que o silêncio volte a miar.