CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de dezembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 18 amanheceu seco — não de sol, mas de paciência. Na Zona Norte de Aracaju, a água virou miragem: dez dias de torneiras tossindo poeira, copos vazios fazendo barulho e o povo aprendendo, à força, que sede também é política pública. A cidade suou protesto, e o asfalto ouviu gritos que escorriam mais que cano furado. A água, essa senhora temperamental, fez greve silenciosa; o povo, cansado, respondeu em voz alta.
Enquanto isso, em Brasília, a política passou pela balança da presença. A Mesa da Câmara puxou a régua constitucional e plim! — mandatos caíram como folhas em dezembro. Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem sentiram o peso da ausência virar sentença. A democracia, professora severa, anotou no diário: falta também reprova. Uns perguntam por novas eleições; outros contam faltas como quem conta pecados — cada um com seu purgatório.
E lá fora, no tabuleiro do mundo, o acordo Mercosul–União Europeia foi empurrado com o pé de janeiro. Promessa adiada, abraço suspenso, café esfriando na mesa da diplomacia. O futuro disse “volto já”, e saiu sem fechar a porta.
Assim, o Brasil seguiu: com sede no bairro, queda no plenário e atraso no planeta. Dezembro tocou sua sinfonia irônica — notas secas, pausas longas, e um refrão antigo: quem governa precisa aparecer; quem promete precisa cumprir; quem sente sede precisa de água.




