CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de dezembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 17 amanheceu com cheiro de diesel jurídico e café requentado de Brasília. Em Aracaju, os ônibus — essas baleias cansadas de asfalto — quase foram encalhados pelo TCE, mas ganharam uma boia chamada liminar. O contrato emergencial, emergente e eternamente provisório, seguiu rodando: a cidade respirou alívio curto, desses que cabem no bolso do paletó. A Justiça puxou o freio com luvas de veludo, e a ironia sorriu no ponto final: irregularidade em circulação regular.
No Senado, tesouras dançaram tango com o Orçamento. Cortaram isenções, soltaram R$ 22,45 bilhões e prometeram cobrar das apostas — cassino de bolso — e das fintechs, essa nuvem que chove juros. O dinheiro, personificado, correu pelos corredores como quem foge de promessa antiga.
Já a dosimetria virou borracha: apaga penas, redesenha culpas. A História pigarreou. O 8 de janeiro piscou em preto e branco, pedindo legenda.
E lá fora, Trump falou à nação como quem vende guarda-chuva em dia seco: jurou controlar a inflação, esqueceu a Venezuela e combateu fantasmas na fronteira. O mundo ouviu com o ouvido cético — esse músculo treinado.
Assim foi o dia: ônibus salvos por sentença, cofres penteados, penas lixadas e discursos perfumados. O Brasil seguiu — aos trancos, aos versos — acreditando que amanhã a metáfora chegue antes do atraso.




