CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de dezembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Escrevo de Japaratuba, onde o vento ensaia partituras invisíveis e a tarde cheira a café coado com esperança. Lá em Aracaju, a Orquestra Sinfônica afina o Natal no Teatro Tobias Barreto: violinos acendem estrelas, o Quebra-Nozes dança no ar e Saint-Saëns nasce como presépio sonoro. A música, essa senhora elegante, varre a poeira do ano e diz, com doçura firme: ainda há beleza, mesmo quando o mundo desafina.
Mas o noticiário não vive só de dó maior. Nos Correios, o envelope da realidade veio sem selo: faltou dinheiro, sobrou aviso. O Conselho Fiscal gritou “atenção!”, a CGU pigarreou números, e a estatal caminhou no fio bamba do balanço — equilibrista sem rede, tentando entregar cartas enquanto o caixa cochila. Ironia hiperbólica: o correio corre, mas o cofre manca.
E Roma? Ah, Roma cavou o tempo. Fez metrô por baixo do Coliseu e achou séculos no subsolo: vasos, pratos, banhos antigos — o passado pegou carona no trem. Congelaram o chão para salvar a memória; aqui, às vezes, congelam promessas para salvar discursos. Lá, museu subterrâneo; cá, arquivo vivo de contradições.
Entre sinfonias que abraçam, cofres que suspiram e túneis que conversam com a História, sigo escrevendo daqui, de Japaratuba, com o ouvido no chão e o coração em compasso lento. Porque o Brasil, como orquestra grande, só fica bonito quando cada instrumento resolve tocar a verdade.




