CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de dezembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Olá, pessoal, vamos ler a crônica do 15º dia de dezembro.
O dia amanheceu seco de paciência e molhado de ironia. Em Aracaju, a água — essa senhora caprichosa — resolveu brincar de esconde-esconde com 26 bairros. As torneiras tossiram silêncio, e a cidade aprendeu, mais uma vez, que sede também é política pública. Às 18h30, a Iguá anunciou o conserto: a água voltou devagar, como quem pede desculpa com passos de formiga. O alívio escorreu fino, mas escorreu — milagre hidráulico celebrado com copos cheios de esperança.
Enquanto isso, em Brasília, os deputados mexiam no bolso do país com luvas de retórica. Aprovaram o texto-base do comitê gestor da reforma tributária: 330 votos a favor, 104 contra e milhões de contribuintes fazendo contas no guardanapo da desconfiança. A reforma promete ordem; o brasileiro, calejado, promete cautela. É a matemática da fé: soma-se discurso, subtrai-se certeza.
E no céu, o absurdo fez turbulência. Um avião comercial desviou para não beijar um jato militar invisível, transponder desligado, brincando de fantasma perto da Venezuela. O piloto chamou de “absurdo”; nós chamamos de metáfora voadora: quando o radar falha, o risco governa.
Assim foi o dia 15: água reaprendendo a correr, impostos ensaiando passos novos e o céu lembrando que, sem transparência, até o ar vira perigo.




