CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 09 de dezembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as Notícias do Dia 09 de dezembro de 2025
Publicado em 10/12/2025 às 11:37

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Olá, caro leitor e leitora, puxem a cadeira, ajeitem o coração e respirem fundo, porque o noticiário de hoje veio servido em pratos quentes, frios e, sobretudo, metaforicamente apimentados.

O dia amanheceu derramando água do céu, mas negando água do chão. Em quatro cidades sergipanas, a adutora decidiu fazer birra: rompeu-se como quem rasga a própria roupa num ataque de nervos hidráulicos. Poço Redondo, Monte Alegre, Porto da Folha e a zona rural de Glória ficaram com as torneiras soluçando seco, como boca de cantador sem verso. A Iguá correu, claro — dizia que as equipes já estavam no local, tentando costurar o cano como quem repara o vestido da noiva minutos antes da marcha nupcial. Enquanto isso, o povo esperava a água voltar como quem espera milagre repetido: com fé, desconfiança e um balde na mão.

Mas a sede do dia não era só por água. Brasília, sempre ela, resolveu demonstrar sua elasticidade moral. A Câmara dos Deputados aprovou um texto reduzindo penas de condenados por atos golpistas — uma espécie de yoga jurídica, onde a lei se estica até abraçar quem deveria apenas ser observado de longe. E, veja só, não deu nem tempo de o café esfriar: o gesto pode abrir portas para Bolsonaro, Ramagem (que anda passeando nos EUA como quem foge do boleto da realidade), Braga Netto e Heleno. É o roteiro perfeito: Brasil, o país onde até a punição pega carona numa carrocinha velha e vai perdendo parafusos no caminho.

Se o projeto for sancionado, Bolsonaro seguirá preso por mais 2 anos e 4 meses — tempo suficiente para aprender crochê, meditar, plantar manjericão e talvez, quem sabe, ensaiar uma autocrítica que nunca chega. Mas não criemos expectativas: o Brasil já ensinou que a esperança cai do cavalo, levanta, sacode a poeira e continua sendo iludida no capítulo seguinte.

E, por falar em cavalo, nos EUA teve avião pousando em cima de carro. Sim, leitor — o céu decidiu brincar de estacionamento. Uma aeronave fez pouso de emergência em plena rodovia e cansou de procurar vaga: escolheu um carro. O motorista saiu com ferimentos leves, o piloto saiu ileso, e a notícia saiu parecendo piada pronta. Nesse ritmo, não duvido que amanhã um submarino resolva estacionar em um estacionamento de shopping para “manutenção”.

O mundo anda tão surreal que até o improvável está pedindo música.

E assim fechamos o dia, nesse carrossel de absurdos, onde adutoras desabam, leis amolecem, aviões descem e o povo segue tentando subir.

Até amanhã, caro leitor e leitora — se a realidade permitir.