CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de novembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de novembro de 2025
Publicado em 30/11/2025 às 16:07

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O sábado amanheceu com cara de quem passou a noite conversando com estrelas insones e nuvens tagarelas — dessas que gostam de fofocar sobre a vida humana. Aracaju, sempre vaidosa, resolveu vestir tênis de corrida e colocar medalha no peito, preparando-se para o Ironman no domingo, como se fosse uma atleta olímpica treinada por Zeus e patrocinada pelo vento do Atalaia. Para receber o evento, a SMTT tratou os ônibus como peças de xadrez e saiu arrastando itinerários de um lado para o outro, fazendo os motoristas se sentirem peças sacrificadas na grande partida da mobilidade urbana. Das 5h às 14h, quem dependesse de ônibus ia precisar do GPS de Star Trek e da paciência de um monge tibetano para chegar ao destino.

Enquanto isso, no mundo do futebol — essa religião laica que movimenta lágrimas, gritos e churrascos — o Flamengo resolveu brincar de fênix dourada. Venceu o Palmeiras e se proclamou tetracampeão da Libertadores, ergueu a taça como quem ergue um trovão engarrafado. A torcida rubro-negra, claro, explodiu numa alegria tão alta que até a estátua do Cristo Redentor deve ter pensado: “Lá vão eles de novo com essa barulheira”. Já os palmeirenses… ah, esses choraram como chuva miúda de fim de tarde. Dizem que até as folhas do Allianz Parque ficaram murchas, sentindo o peso da derrota.

E por falar em peso… os Correios resolveram pedir um empréstimo tão grande, mas tão grande, que daria para embrulhar o Brasil inteiro em papel pardo e ainda sobraria fita adesiva para três gerações. Vinte bilhões! Não é empréstimo, é transplante financeiro. Tudo isso porque a estatal acumulou um prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro. O carteiro, aquele símbolo simpático da infância, anda entregando mais más notícias do que correspondências. E a tal “formalização depende do aval do Tesouro”, que deve estar olhando para a situação como quem observa um sobrinho gastador pedindo dinheiro para “um projeto importante”.

Mas se no Brasil o drama é contábil, no sul da Ásia o drama é existencial. Chuvas torrenciais transformaram cidades em aquários gigantes e ruas em rios improvisados. Cerca de 600 vidas foram arrastadas pela força bruta das monções — essas tempestades que chegam como monstros mitológicos devorando casas, sonhos e fotografias de família. Indonésia, Malásia, Tailândia, Sri Lanka… nomes que hoje parecem sinônimos de lágrimas salgadas e céu desabando. Um morador de Bireuen disse que tudo sumiu — até as roupas que tentou salvar. Como explicar a alguém que o chão virou água e o teto virou memória?

A chuva começou em Sumatra na quarta-feira, mas sua fúria parecia guardar séculos de mágoa acumulada. É como se a natureza, cansada da surdez humana, tivesse decidido escrever uma carta — uma carta dolorosa, molhada, enorme — lembrando ao mundo que ela também tem limites. E que, quando ultrapassados, não manda aviso: manda enxurrada.

E assim seguimos… entre ônibus desviando de atletas mitológicos, clubes erguendo taças como se fossem constelações pessoais, estatais pedindo socorro financeiro com a mesma emoção de um tango mal coreografado e povos inteiros lutando para se manterem de pé enquanto o céu desaba.

O dia 29 de novembro de 2025 termina como uma crônica viva: cheia de metáforas, tropeços, glórias, lágrimas, ironias e respiros. A humanidade segue tentando — alguns correm, outros torcem, muitos choram. Mas todos, de algum jeito, esperam pelo sol da próxima manhã… aquele que, teimoso, sempre volta. Mesmo que o mundo esteja navegando em mar revolto.

Porque viver, no fim das contas, é isso: remar, rir, reclamar, cair, levantar — e narrar. Sempre narrar.
Saudações do Professor Antonio Glauber.