CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de novembro de 2025

Uma Terça-feira de Emoções — Abram a janela da vida e leiam a crônica.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de novembro de 2025
Publicado em 12/11/2025 às 12:46

Por Antônio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 11 de novembro nasceu com cheiro de mudança e um nó de ironias no ar. O sol, curioso, espiou pelas frestas das nuvens para ver se o mundo ainda andava de pé. Em Sergipe, o futuro vestiu terno verde e discurso sustentável: apresentaram projetos de hidrogênio verde e recuperação de biomas na COP30. Ah, o planeta sorriu desconfiado — afinal, quantas vezes já prometeram “salvar o mundo” enquanto o plástico ainda boia nas lágrimas do oceano?

Era bonito ver os líderes de terno e gravata debatendo o destino do planeta, como se o oxigênio tivesse CPF e o vento precisasse de visto para soprar. O hidrogênio, vaidoso, ergueu a cabeça e disse: “Enfim, lembraram de mim!” Enquanto isso, o bioma sergipano, cansado, bocejou — “promessas outra vez?”.

No mesmo palco da existência, Silvânia Aquino despediu-se da Calcinha Preta. Que ironia do destino — uma banda com nome tão íntimo perde sua voz mais marcante num adeus público e cheio de lágrimas digitais. A cantora deixou o palco, mas levou na voz um pedacinho do Nordeste inteiro. Foi-se a musa das noites de forró e dos amores com refrão. A internet suspirou, os fãs soluçaram, e até o sanfoneiro parou pra pensar: será que a vida também tem prazo de validade musical?

Enquanto uns se despediam com poesia, outros despencavam no abismo da economia. A Oi, aquela mesma que um dia ligava corações e conectava distâncias, agora virou estática judicial. R$ 1,7 bilhão em dívidas — e o juiz apertou o botão do silêncio. A empresa que dizia “falar é bom” perdeu a voz, desconectou-se da própria sorte. O Brasil inteiro ouviu o tom da falência — uma sinfonia desafinada entre a esperança e a cobrança.

E, no outro lado do mundo, a tragédia deu um tiro no coração da humanidade: Mariam Cissé, uma tiktoker, foi executada em praça pública no Mali, confundida com uma espiã. O eco dos disparos atravessou fronteiras e fez tremer as telas do planeta. Era a modernidade sendo apedrejada pela barbárie, a juventude sendo calada pelo medo. As redes sociais choraram emojis tristes — mas o vento africano sabe que lágrimas digitais não lavam sangue real.

O mundo gira, tropeça e cai em si. De um lado, falamos de energia limpa; do outro, espalhamos a sujeira humana. Prometemos replantar o planeta enquanto desmatamos a empatia. Cantamos despedidas e dançamos nas ruínas do consumo. Somos todos Silvânias que se retiram, Ois que quebram, Mariams que sonham e Sergipes que resistem.

A terça-feira de emoções termina assim: com o verde do futuro tentando brotar entre o cinza das contradições. E o vento de Japaratuba, sábio e poético, sussurra:
— Enquanto houver quem cante, quem plante e quem sonhe, ainda há esperança de conexão.