CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de novembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 07 de novembro amanheceu com cheiro de sal e promessa de maré alta. Aracaju acordou de alma verde, vestida de mangue e esperança. A cidade — essa menina de pés descalços entre o rio e o mar — foi a primeira no mundo a dizer “sim” à proteção dos manguezais. Um feito digno de poesia ecológica. Os caranguejos aplaudiram com suas pinças tímidas, os siris dançaram um samba aquático e os guarás, vestidos de vermelho, desfilaram no céu como bandeiras vivas de um futuro possível. A natureza, por um instante, respirou aliviada — como quem ouve um “desculpe” depois de séculos de agressão.
Enquanto o mangue ganhava medalha de ouro na COP30, os alunos sergipanos marchavam para o Ginásio Constâncio Vieira, carregando mochilas cheias de sonhos e olheiras de revisão. O Enem batia à porta — esse monstro de papel e ansiedade — e a juventude, heroicamente, tentava decifrar o enigma da redação antes que o café esfriasse. O ginásio virou templo da esperança, onde cada aluno é um pequeno cientista tentando provar que o saber ainda pode salvar o país, mesmo quando o país insiste em não estudar.
No mesmo planeta, mas em outro tom de comédia trágica, o Brasil apareceu como protagonista em cena global: liderando a coalizão pelo mercado de carbono. Veja só — o país do desmatamento e das queimadas agora é o maestro da orquestra da descarbonização. Ironia ou redenção? Talvez ambas. Lula discursava ao lado de Macron e do príncipe William, e o mangue, lá em Aracaju, devia rir em silêncio, sussurrando: “finalmente lembraram de mim”. O verde brasileiro, tantas vezes tratado como cor de fantasia, agora desfilava nos palcos diplomáticos com terno e gravata sustentável.
Mas nem tudo era calmaria. Lá nos Estados Unidos, o governo Trump entrou em modo turbulência, e o céu virou estacionamento de aviões parados. Mais de 800 voos cancelados — um caos aéreo que parecia roteiro de comédia apocalíptica. Passageiros com cara de exílio temporário vagavam pelos aeroportos como zumbis conectados ao Wi-Fi. O “sonho americano” atrasou na esteira de bagagens, enquanto o piloto do destino aguardava liberação da torre de comando.
E, enquanto uns enfrentavam ventos políticos, o Paraná enfrentava ventos literais. Um tornado, furioso e desatinado, visitou Rio Bonito do Iguaçu e deixou um rastro de dor e destroços. Casas viraram origamis rasgados, postes tombaram como gigantes cansados e a paisagem se tornou metáfora cruel: o país é, às vezes, um tornado de promessas não cumpridas. O Simepar confirmou: ventos de 250 km/h. Mas quem mede a velocidade do desespero? Quem calcula a força do pranto de quem perdeu tudo?
O 07 de novembro foi, assim, um espelho rachado da humanidade.
Num canto, o mangue renasce e ensina o mundo a respirar com raízes;
no outro, o vento destrói e lembra que o planeta ainda grita de dor.
Entre um discurso verde e um tornado cinza, seguimos, nós — frágeis, teimosos, esperançosos — tentando equilibrar o futuro na corda bamba do presente.




