CRÕNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de outubro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 25 de outubro amanheceu com um perfume de incenso e política no ar — mistura sagrada e profana, dessas que fazem até os anjos abrirem o jornal com cautela.
Em Propriá, o céu resolveu mandar reforço: o Papa Leão XIV, com sua pena pontifícia e olhar de quem abençoa e observa, nomeou o monsenhor George Luis Amaral Muniz como o novo bispo da diocese.
O anúncio veio sereno, mas soou como trovão no coração dos fiéis — afinal, mudar o pastor é como trocar a bússola no meio da travessia.
Que ele traga não apenas bênçãos, mas também coragem — porque pastorear almas, em tempos de redes sociais e fé com filtros, é caminhar sobre brasas de emojis e doutrinas digitais.
Em Brasília — ou melhor, na Malásia — o presidente Lula, entre sorrisos e salamaleques, recebeu o título de Doutor Honoris Causa.
Lá estava ele, o operário doutor, o retirante doutor, o diplomado das lutas e das cicatrizes.
O diploma, de papel e pompa, não lhe acrescenta saber, mas reconhece o que muitos tentaram apagar: o verbo esperançar que aprendeu com a fome e com o povo.
Em seu discurso, prometeu que a COP30 será “a COP da verdade”. Que assim seja — e que essa verdade não se derreta sob o calor dos interesses econômicos, nem se evapore nas nuvens de fumaça amazônica.
Enquanto isso, na Irlanda — terra verde de duendes e revoluções silenciosas — Catherine Connolly pintou o mapa eleitoral com as cores da esquerda e o sorriso da vitória.
Sessenta e três vírgula quatro por cento de votos: um número que soa como sinfonia democrática em um mundo desafinado pelo extremismo.
Lá, o poder é quase cerimonial, mas o gesto é simbólico — como acender uma vela na escuridão e provar que a esperança ainda tem sotaque feminino.
Três notícias. Três mundos. Três metáforas de fé, poder e mudança.
O bispo que chega para pregar com humildade, o presidente que fala de verdade em meio às máscaras da diplomacia, e a mulher que vence com votos e coragem — todos personagens de uma mesma fábula contemporânea: a da humanidade tentando se reconciliar consigo mesma.
No fundo, o dia 25 de outubro de 2025 foi uma missa de contrastes: a batina, a beca e a urna — três vestes diferentes para o mesmo corpo de sonhos.
O Papa nomeia, o Lula discursa, a Catherine vence — e o mundo, cansado de hipocrisias e holofotes, sussurra um amém cético, meio religioso, meio político.
Porque, convenhamos, a fé continua sendo o combustível mais renovável do planeta — ainda que muita gente a gaste com os falsos profetas da mídia, os santos de paletó e as promessas de campanha.
E assim segue o mundo: entre bênçãos papais, títulos honoríficos e vitórias simbólicas, tentando achar a salvação entre o altar e o plenário.
Que o novo bispo traga paz, que o presidente cumpra sua verdade e que a Irlanda inspire — porque, no fim das contas, o milagre que todos esperam não cai do céu:
ele nasce, lentamente, na consciência desperta de quem ainda acredita que a humanidade pode se confessar — e se converter ao bem.
E lá vai o dia, em procissão poética, carregando nas mãos não um terço, mas a esperança de que o amanhã venha mais justo, mais verde e menos hipócrita.




