CRÕNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de outubro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de outubro de 2025
Publicado em 26/10/2025 às 9:46

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 25 de outubro amanheceu com um perfume de incenso e política no ar — mistura sagrada e profana, dessas que fazem até os anjos abrirem o jornal com cautela.
Em Propriá, o céu resolveu mandar reforço: o Papa Leão XIV, com sua pena pontifícia e olhar de quem abençoa e observa, nomeou o monsenhor George Luis Amaral Muniz como o novo bispo da diocese.
O anúncio veio sereno, mas soou como trovão no coração dos fiéis — afinal, mudar o pastor é como trocar a bússola no meio da travessia.
Que ele traga não apenas bênçãos, mas também coragem — porque pastorear almas, em tempos de redes sociais e fé com filtros, é caminhar sobre brasas de emojis e doutrinas digitais.

Em Brasília — ou melhor, na Malásia — o presidente Lula, entre sorrisos e salamaleques, recebeu o título de Doutor Honoris Causa.
Lá estava ele, o operário doutor, o retirante doutor, o diplomado das lutas e das cicatrizes.
O diploma, de papel e pompa, não lhe acrescenta saber, mas reconhece o que muitos tentaram apagar: o verbo esperançar que aprendeu com a fome e com o povo.
Em seu discurso, prometeu que a COP30 será “a COP da verdade”. Que assim seja — e que essa verdade não se derreta sob o calor dos interesses econômicos, nem se evapore nas nuvens de fumaça amazônica.

Enquanto isso, na Irlanda — terra verde de duendes e revoluções silenciosas — Catherine Connolly pintou o mapa eleitoral com as cores da esquerda e o sorriso da vitória.
Sessenta e três vírgula quatro por cento de votos: um número que soa como sinfonia democrática em um mundo desafinado pelo extremismo.
Lá, o poder é quase cerimonial, mas o gesto é simbólico — como acender uma vela na escuridão e provar que a esperança ainda tem sotaque feminino.

Três notícias. Três mundos. Três metáforas de fé, poder e mudança.
O bispo que chega para pregar com humildade, o presidente que fala de verdade em meio às máscaras da diplomacia, e a mulher que vence com votos e coragem — todos personagens de uma mesma fábula contemporânea: a da humanidade tentando se reconciliar consigo mesma.

No fundo, o dia 25 de outubro de 2025 foi uma missa de contrastes: a batina, a beca e a urna — três vestes diferentes para o mesmo corpo de sonhos.
O Papa nomeia, o Lula discursa, a Catherine vence — e o mundo, cansado de hipocrisias e holofotes, sussurra um amém cético, meio religioso, meio político.

Porque, convenhamos, a fé continua sendo o combustível mais renovável do planeta — ainda que muita gente a gaste com os falsos profetas da mídia, os santos de paletó e as promessas de campanha.

E assim segue o mundo: entre bênçãos papais, títulos honoríficos e vitórias simbólicas, tentando achar a salvação entre o altar e o plenário.

Que o novo bispo traga paz, que o presidente cumpra sua verdade e que a Irlanda inspire — porque, no fim das contas, o milagre que todos esperam não cai do céu:
ele nasce, lentamente, na consciência desperta de quem ainda acredita que a humanidade pode se confessar — e se converter ao bem.

E lá vai o dia, em procissão poética, carregando nas mãos não um terço, mas a esperança de que o amanhã venha mais justo, mais verde e menos hipócrita.