CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de outubro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de outubro de 2025
Publicado em 23/10/2025 às 9:43

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 22 de outubro amanheceu com o coração pesado — desses que batem em tom menor, como se o mundo inteiro tivesse acordado de ressaca ética. O noticiário, esse poeta trágico de tragédias diárias, trouxe dois versos dissonantes: um sobre adolescentes perdendo tempo de juventude, outro sobre adultos brincando com o fim do mundo.

No Brasil, o Senado — esse teatro onde discursos vestem ternos e verdades andam de chinelo — decidiu aumentar o tempo de internação de adolescentes infratores. Cinco anos, talvez dez. A infância virou réu, e o castigo ganhou prorrogação. É como se o país dissesse aos seus jovens: “não te darei escola, mas te darei cela ampliada, com vista para o esquecimento”.

As cadeias aplaudem. As grades, vaidosas, brilham de tanto sol refletido na promessa de novos hóspedes. A ironia é que se fala em ressocializar o que nunca foi socializado. O jovem que não teve lar, agora terá número. O que não teve colo, agora terá concreto. A poesia da juventude se transforma em prosa amarga de sobrevivência. E o Brasil, esse eterno adolescente institucional, segue cometendo os mesmos erros com maior tempo de duração.

Enquanto isso, do outro lado do planeta, a Rússia decidiu brincar de apocalipse. Mísseis subiram aos céus como fogos de artifício do juízo final, e o mundo prendeu a respiração — porque Putin resolveu transformar o firmamento em campo de tiro. As nuvens, assustadas, pediram licença para chorar. A Terra, cansada de ameaças, girou mais devagar, como quem sussurra: “de novo, não…”.

Um dia após adiar uma reunião com Trump — o eterno vendedor de catástrofes —, Putin resolveu fazer barulho. Talvez fosse só ciúme diplomático, talvez um teste de masculinidade geopolítica. O planeta, esse órfão de bom senso, assistiu ao espetáculo de sombras e fumaça, onde cada ogiva é uma sílaba da loucura humana.

Enquanto os poderosos medem o tamanho de seus botões vermelhos, os pequenos — os meninos das ruas, das escolas sem professor, dos becos sem futuro — continuam sendo alvos fáceis de uma guerra menos televisiva: a da miséria, da exclusão, da indiferença.

Ah, Brasil… tão preocupado em prolongar penas e tão displicente em cultivar sonhos.
Ah, humanidade… tão pronta para lançar mísseis e tão lenta para lançar compaixão.

No fim do dia, o noticiário fechou a cortina e a Terra apagou as luzes. Lá fora, o vento ainda sussurra uma oração pelos meninos que a sociedade chama de “problema” e pelos adultos que o planeta chama de “ameaça”.