CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 20 de outubro de 2025

20 de outubro dia do poeta as notícias em poesia.

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 20 de outubro de 2025
Publicado em 21/10/2025 às 16:48

As Manchetes do 20º dia de outubro de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE


O dia 20 de outubro acordou com cara de segunda-feira vestida de ironia. Aracaju, sempre com seu coração pulsando entre o comércio e o caos, viu os comerciantes trocarem o troco pela revolta. O Centro virou um palco de vozes em descompasso, cada grito uma nota desafinada da sinfonia social. As faixas tremulavam como lençóis de um Brasil cansado de insônia — país que sonha em preto e branco enquanto acorda em cinza.

As lojas, outrora vitrines de esperança parcelada, agora exibiam cartazes de desespero à vista. O protesto não era contra o cliente, mas contra o descuido de quem prometeu prosperidade e entregou carnê atrasado. Aracaju ecoava como um tambor: o som não vinha do couro, mas das feridas.

E enquanto o povo gritava nas ruas, os hospitais silenciavam. As doações de leite caíram, e o choro dos bebês nas UTIs neonatais parecia um pedido de socorro em forma de suspiro. A vida, tão frágil e sagrada, ficou à espera de um fio de solidariedade. O leite, esse símbolo branco da pureza, tornou-se lágrima escorrendo do peito da sociedade que esqueceu de nutrir o que tem de mais humano.

Lá em Brasília, entre o cheiro de café e promessas remexidas, Lula anunciou Guilherme Boulos como novo ministro. O agora ministro traz para o Palácio o barulho das ruas, os sonhos amassados sob o concreto e o grito engasgado das periferias. É como se um tijolo falasse alto no salão dourado do poder: “Eu também construo país”. Márcio Macêdo deixa o cargo como quem encerra uma sinfonia política, e Boulos entra afinando o violão da esperança — mas o público, esse povo calejado, assiste em silêncio, esperando para ver se o novo maestro toca samba ou repete o fado.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, Trump decidiu que o poder precisa dançar. O ex-empresário e atual presidente iniciou a construção de um salão de baile de 200 milhões de dólares na Casa Branca. A Ala Leste, símbolo de história e diplomacia, virou entulho de ego. “Ficará mais bonita do que nunca”, disse ele — como quem pinta o próprio reflexo em dourado e chama de patriotismo. É o império da vaidade: Roma tinha coliseus, Trump tem lustres.

O planeta, cansado de girar nesse carrossel de contradições, parece pedir uma pausa. De um lado, comerciantes lutam por sobrevivência; do outro, crianças lutam por leite. Em um canto, um homem do povo sobe a escada do poder; em outro, um bilionário constrói um salão para dançar sobre o tapete do mundo.

A segunda-feira foi um espelho rachado: refletiu todos nós — um pouco indignados, um tanto cansados, e completamente perdidos entre o real e o surreal.

No fim do dia, Aracaju apagou as luzes da revolta, os bebês ainda esperavam por leite, Brasília trocou o nome no crachá e Washington afinava os violinos para o baile do século. O mundo gira, mas às vezes parece apenas rodar em falso.