Crônica
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 18 de outubro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O sábado dia 18 de outubro desfilou com cara de fio desencapado. Em Aracaju, o ladrão de cabos elétricos decidiu brincar de Deus e apagou a luz de uma unidade de saúde, interrompendo o Dia D da vacinação. O crime não foi só contra o cobre, mas contra a esperança. As seringas, coitadas, ficaram em silêncio, como guerreiros prontos para a batalha que não aconteceu. As vacinas dormiram no escuro, e o gerador da consciência pública mais uma vez pifou. O furto virou metáfora: o Brasil vive um curto-circuito moral — e ninguém acha o disjuntor.
Enquanto o SUS ficava no breu, a sorte iluminava dois paranaenses que, com 5 números acertados, faturaram quase cinquenta mil reais na quina da Mega-Sena. O destino tem senso de humor cruel — enquanto uns perdem fios, outros puxam os cabos da fortuna. Um jogou na lotérica do Chico, em Telêmaco Borba; o outro clicou na fé digital em Londrina. A roleta do universo girou, e o acaso riu da meritocracia. Sorte é quando o improvável acorda de bom humor.
Já nos ares da China, a bateria de lítio resolveu fazer cosplay de vulcão dentro de um avião. Um fogo no meio do céu: a modernidade incendiando a própria arrogância. A tripulação, heroica, apagou as chamas e pousou o pássaro metálico em Shanghai. Nenhum ferido, apenas corações em combustão. O mundo contemporâneo anda assim — plugado, potente, perigoso. Carregamos o futuro no bolso, e ele às vezes explode de nervoso.
Tudo parece conectado por um fio invisível: do cobre furtado em Aracaju à faísca da bateria chinesa, passando pelo lampejo da Mega-Sena. A humanidade vive em curto — elétrico, ético e emocional. Rouba-se o que ilumina, compra-se o que ilude e teme-se o que reluz. O progresso, esse Frankenstein de silício e vaidade, nos promete luz, mas vive cuspindo fagulhas de caos.
Enquanto isso, o povo, paciente e resiliente, continua carregando as pilhas da esperança, mesmo quando o mundo desliga a tomada.
Entre fios e chamas, o Brasil segue tentando acender a lâmpada da sensatez — mas parece que alguém roubou o interruptor.




