CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 10 de outubro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
A sexta-feira, dia 10 de outubro de 2025, acordou com cheiro de esperança misturado a café quente e tinta fresca de cartaz.
Em Aracaju, os ônibus resolveram, por um breve milagre de humanidade, carregar sonhos em vez de boletos.
O Consórcio do Transporte Coletivo decretou:
“Durante o Enem, os portões do paraíso se abrem sem catraca!”
E assim, por dois domingos mágicos, estudantes não pagarão o pedágio da esperança.
Ônibus virarão naves espaciais do futuro, levando mochilas cheias de anotações, canetas ansiosas e corações batendo como motores a diesel em ritmo de adrenalina.
Nos bancos, vai ter menino rezando, menina revisando fórmula e motorista virando filósofo, dizendo que estudar é dirigir o próprio destino.
Uma crônica viva sobre o transporte do saber — finalmente gratuito, ainda que por uns poucos quilômetros de utopia.
Enquanto isso, em Japaratuba, a sorte girava ao som do Bingo da Esperança, na Escola Municipal Professor Emiliano Nunes de Moura.
O prêmio maior não era a cesta básica nem a sanduicheira, mas a gargalhada de quem ainda acredita que a vida pode ser sorteada em amor e amizade.
Já na Escola Estadual José de Matos Teles, o palco se transformou em trincheira poética.
O Sarau Literário 2025 levantou as cortinas da memória:
“A Arte e a Literatura nos tempos de chumbo.”
Poesia contra a mordaça. Teatro contra o esquecimento.
Os jovens, com olhos faiscando liberdade, gritaram o óbvio que o tempo tenta calar:
Ditadura nunca mais!
Foi um espetáculo onde a palavra virou fuzil de papel, o aplauso soou como manifesto, e cada verso era um lampejo de resistência.
Do outro lado do Atlântico, o mundo girava em seu carrossel de absurdos e ironias.
Kim Jong-un, o eterno maestro da paranoia, resolveu comemorar os 80 anos do partido com fogos nucleares — um desfile de brinquedos atômicos para assustar a plateia global.
O míssil desfilou vaidoso, reluzente, como se dissesse:
“Olhem como sou bonito e destrutivo!”
E o planeta, envergonhado, fingiu que aplaudia para não virar cinza.
Enquanto isso, Trump, esse vendedor de caos em ternos caros, anunciou tarifas de 100% contra a China — talvez uma tentativa de proteger a economia americana ou apenas de proteger seu ego inflacionado.
O homem é um míssil em forma de terno, disparando tweets e decretos com pólvora retórica.
A guerra comercial virou um stand-up internacional.
No sul do mapa, a Terra lembrou que também fala.
Um terremoto de 7,6 balançou o Chile e fez o Pacífico engolir o ar em silêncio.
A natureza, cansada das promessas humanas, resolveu sacudir as convicções.
Cada abalo é um lembrete de que o chão é vivo — e nós, meros inquilinos de um planeta com humor instável.
Em meio ao tremor, uma boa nova soprava do Oriente: o cessar-fogo entre Israel e Hamas.
Depois de tantos gritos, finalmente o silêncio voltou a ser som.
Palestinos regressam às ruínas chamando-as de casa — como quem abraça o próprio escombro.
É a paz que chega mancando, mas chega.
Ainda há crianças brincando entre muros quebrados, e isso, em Gaza, é um milagre que vale Nobel.
Falando em Nobel, a Venezuela teve um lampejo de redenção.
María Corina Machado, opositora do regime de Maduro, ganhou o Prêmio da Paz.
Ironia poética: uma mulher silenciada por um ditador recebe o troféu da voz.
É como se o mundo dissesse:
“A coragem também ganha diploma.”
Lá, onde o medo virou idioma oficial, o prêmio soou como trovão libertador.
(Só lembrando que Corina não é santa — é golpista e já pediu sanções contra o próprio país.)
No Brasil, Lula abriu uma janela na parede da classe média: uma nova linha de crédito para quem sonha com casa própria.
O teto agora pode custar até R$ 2,25 milhões — um castelo para quem ainda paga aluguel do sonho.
O governo promete juros menores.
Entre terremotos, mísseis, saraus e bingos, o mundo segue tropeçando em si mesmo, tentando equilibrar fé, medo e ironia.
E nós, cronistas de esquina, seguimos observando o desfile da humanidade — esse sarau de contradições, onde poesia e pólvora dançam o mesmo tango.
Que os ônibus gratuitos do Enem levem mais do que estudantes: levem ideias, levem sonhos, levem a certeza de que, apesar de tudo, o conhecimento ainda é o único transporte que não quebra no caminho.
Porque, no fim, o que move o mundo não é o motor — é a mente desperta.




